14 de out. de 2008

O SETOR QUE NÃO VEMOS...

Boa Noite!

Notícias que foram veiculadas hoje pelos jornais e internet comemoram o “crescimento da saúde privada no Rio de Janeiro”, ainda em 2008 e mesmo com esta agudíssima crise que atravessamos, agora até mesmo reconhecida por nosso Presidente. Os fatos reportados tratam da inauguração de nova unidade da empresa AMIL em Nova Iguaçu, da promessa de construção de um centro oncológico pelo empresário Eike Batista e a expansão das unidades do grupo Dor no estado e em todo o país. Inegáveis que estas três ocorrências devam ser merecedoras de apontamento e reflexão, como positivas aos grupos que investem em qualificação de sua gestão.
Preocupante é atrelarmos esta experiências que são corporativas e não refletem a visão do mercado carioca, a uma expansão ou crescimento como um todo do nosso mercado suplementar.
O Estado do Rio de Janeiro possui um elevado número de profissionais competentes, estudiosos e bastante qualificados em suas funções, sejam elas técnicas ou administrativas. Porém, se analisarmos com frieza a organização do setor suplementar como um todo o que vemos é preocupante: empresas quebrando, por não terem conseguido formar gestores e sucessores; concorrência muitas vezes predatória; muito discurso sobre qualidade com pouca prática; baixíssimo nível de mensuração da efetividade do consumo de recursos na produção da saúde coletiva.
O que é mesmo que estamos comemorando?
Não estou fazendo o papel de pessimista de plantão, não se trata disto. Gostaria apenas que não tomássemos as vitórias individuais e que considero ainda isoladas no Estado, e as generalizássemos de uma forma ufanista e idílica. Nossos problemas não são instransponíveis e nem tampouco insolúveis. Mas eles ainda não são percebidos por todos os atores que aqui atuam como sistêmicos. E aí reside o grande perigo que enxergo: mais uma vez nos dividirmos, ao invés de buscarmos em conjunto a formatação de um grande pacto pela sobrevivência do mercado de saúde suplementar do Rio de Janeiro.
Aliás, é mais do que a sobrevivência: é a longevidade com qualidade que necessitamos, sob pena de retrocedermos à chegada da família real, a situação do Sistema de Saúde local, seja ele público, seja ele privado. As ilhas de excelência sempre vão existir. O que não se deve permitir é que elas fiquem cada vez menores e mais isoladas dentro de um imenso mar de incompetência. Se for assim, temo que até as ilhas se afoguem!

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