Boa Noite!
Por ocasião da Jornada Mundial de Alimentação, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, abreviatura da sigla em inglês para Food and Agriculture Organization), o diretor geral desta entidade, Dr. Jacques Diouf recebeu uma carta do líder máximo da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, na qual ele ataca de forma incisiva a “especulação desenfreada” que tomou conta da agricultura mundial voltada para o comércio, o famoso “agribusiness”.
O Santo Padre afirma textualmente que a fome no mundo não decorre de problemas de produção ou mesmo da insuficiência da produção. Diz ele: “Os meios e os recursos dos quais o mundo dispõe no dia de hoje, estão em condições de fornecer comida suficiente para satisfazer as crescentes necessidades de todos” (entrevista completa está no CORRIERE DELLA SERA, de 16.10.08). Ou seja, os estudos feitos pelos especialistas em Alimentação, ligados ao Vaticano, afirmam que a FOME decorre da especulação financeira e da necessidade do alimento gerar riquezas cada vez maiores, ainda que à custa da vida daqueles que padecem dos horrores da falta de comida!
São duras as palavras do papa Ratzinger. Mas não são menos terríveis as constatações de que fazemos mais vítimas, nos dias atuais pela ganância do lucro fácil, grande e rápido, do que pelas guerras que campeiam nosso mundo desde o século passado.
O Presidente da República, ao assumir o seu primeiro mandato, foi muito feliz ao declarar que, se ao término do seu governo, cada brasileiro pudesse realizar as três refeições do dia ele se sentiria realizado como homem público e líder maior da nação. Uma pena que usou tão nobre objetivo, depois, para aumentar a taxa de empregos no seu partido político. Mas à parte deste desvio, foi uma declaração corajosa e oportuna, de um líder de uma nação emergente. Porém, sua voz não ecoou junto às nações ricas do globo terrestre.
A Fome é uma calamidade social que afeta todos os setores de um país, em especial a Saúde Coletiva. Portanto, consentir na fome é ser conivente com um extermínio sistemático, cruel e contínuo de todas as camadas sociais que a ela estão expostas. A existência de produção mundial suficiente não poderia, jamais, significar a retenção de colheitas ou mesmo sua destruição como estratégia de elevação de preços dos alimentos. A suficiência produtiva, se gerida com inteligência e de forma imparcial, pela própria FAO poderia reduzir taxas de mortalidade excessivas, equilibrar indicadores sanitários nos países mais pobres e reduzir as graves distâncias que separam nações desenvolvidas daquelas denominadas de terceiro mundo.
Maior do que a imposição da fome, somente o grave pecado da omissão. Fazemos de conta que o problema não é nosso, quem sabe dos irmãos africanos, como se não víssemos todos os mendigos, maltrapilhos e abandonados que reviram as latas de lixo e os sacos com restos de comida em todas as ruas e logradouros públicos das nossas grandes cidades. Neste momento de tanta sensibilidade para com os grandes bancos e as imensas corporações financeiras que estão recebendo bilhões de euros e de dólares como “ajuda” dos governos em todo o mundo, não seria um bom momento para se provocar esta discussão?
Nenhum comentário:
Postar um comentário