22 de out. de 2008

SUS: DE NOVO O CAOS...

Boa Noite!

O Jornal “O GLOBO” em sua edição de 20.10.2008, estampa na primeira página uma foto onde o dirigente do Hospital Miguel Couto, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, diz: “EMERGÊNCIA FECHADA”. É isto mesmo que você está lendo: por falta de médicos que possam atender as emergências, ou seja, as situações graves nas quais existe risco iminente de morte para os pacientes, o setor fechou as portas.
Deve ser a segunda ou terceira emergência que fecha nestes últimos trinta dias, e mais num momento em que as fortes chuvas caídas ontem levaram dezenas de pessoas a procurar assistência e socorro médicos.
Idosos, gestantes e outras pessoas sofreram e tiveram de esperar por mais de seis horas para serem atendidos. Não sabemos ainda a reação do Sr. Governador quanto ao fato. Da última vez, no caso do Hospital Getúlio Vargas, a medida administrativa tomada foi insultar os médicos chamando-os de “vagabundos”. Claro que, tamanho desabafo vindo do primeiro governante estadual encheu páginas e páginas da imprensa, somente não resolveu o problema.
E eis o caos de novo. E mais uma vez a mídia irá associar o lamentável episódio ao SUS, como se a concepção do sistema estivesse errada, ou ele fosse assim apenas por sua natureza pública.
O problema não é de concepção, nem de natureza. O problema deriva-se da gestão amadora, ineficiente e descompromissada do sistema, por parte daqueles que deveriam ter, na Saúde, sua maior preocupação e foco estratégicos. Sistematicamente temos repetido neste espaço que muito pouco se fez para tornar real um dos pilares estabelecidos para o SUS que era a qualificação da gestão.
Até acreditei que quando o Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado no começo deste ano, apontou para a falha e carência de Gestão no sistema, nossos governantes, em geral tão preocupados com sua imagem pessoal no exterior, fossem acordar para o problema. Ledo engano.
Estamos caminhando para mais um ano, mais uma eleição, mais um rol de promessas, sem que nada de concreto possa ser percebido pela população em geral. As expectativas no Rio de Janeiro eram imensas, quase tão grandes quanto as decepções com a realidade da gestão estadual. Continuamos a desperdiçar o imenso conhecimento que possuímos, não fazendo convergir toda a sua intensidade em prol do nosso sistema de saúde coletivo público e privado.
Quando vejo a repetição de tais fatos e os tristes rostos dos eternos sofredores que são os pobres, somente consigo me recordar do título daquele livro de Gabriel Garcia: “Crônica de uma morte anunciada”. É que estão fazendo com o SUS. É o que estão fazendo com o sistema de saúde coletivo do Rio de Janeiro.

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