Boa Noite!
Os jornais e toda a imprensa tem acompanhado e destacado as tragédias pessoais e coletivas que vêm acontecendo em Santa Catarina desde o final da semana passada. São histórias que nos entristecem, trazem o tema morte mais uma vez à tona e demonstram uma gama de equívocos praticados por todos, governantes e governados, em especial quando se aponta a chuva como causa dos transtornos. A chuva não é causa, e sim efeito. As causas podem ser encontradas na poluição que modifica o leito dos rios, entope bueiros e escoadouros naturais e/ou artificiais das águas, causando rompimentos e desvios nos cursos normais.
Basta prestarmos atenção no que acontece quando chove mais de meia hora aqui no Rio de Janeiro ou em Niterói. Tudo fica inundado e o lixo passeia por todas as vias públicas, mostrando-se como de fato é: o grande troféu que a incompetência dos governantes deixa à população.
Aliás, este é um grande desafio para os futuros gestores, também para os atuais: ser capaz de identificar e separar o que é causa do que vem a ser seu efeito. Quando mapeamos corretamente as causas, todas as nossas decisões deverão se localizar no campo estrutural. Assim, uma vez corrigidas, terão durabilidade e consistência seus efeitos, minimizando ou terminando as adversidades detectadas. Porém, o trabalho nas causas é mais difícil, exige maior conhecimento e habilidade técnicas e, o que é pior para nós cidadãos, nem sempre dá visibilidade e destaque desejados pelos políticos.
Por isso se trabalha, com infeliz e esmagadora maioria, o efeito. Uma equipe tapando um buraco numa rua (e você já percebeu que em nosso país só se faz isto na hora do maior movimento causando filas e congestionamento intermináveis, pois os políticos acreditam que assim o povo vê o seu trabalho), causará maior impressão do que uma outra limpando bueiros e tomando outras medidas voltadas ao saneamento público. O saneamento é subterrâneo, não fica visível e, por isso, não merece dos governantes a atenção devida.
Tratar bem os mananciais também. Em geral eles estão localizados longe dos grandes centros, em meio às matas que ainda restam neste país e, por isso, afastados dos olhos dos eleitores. Como são esquecidos! Cuidar deles é gerenciar causas. Reconstruir ruas até a próxima enchente é maquiar os efeitos. Porém, as causas estão longe dos olhos, e os efeitos perto do coração. Por isso são os preferidos dos governantes públicos.
O verdadeiro gestor não pode cometer este mesmo equívoco. Tratar de efeitos para poder aparecer é um erro ao qual não podemos aderir. Por mais que a tentação bata, o exercício de mapear as causas tornar-se-á mais rico e educativo do que qualquer outra ação gerencial. Porém, ele dependerá da vontade do administrador, de sua perseverança e firmeza para enfrentar os desafios que surgem desta visão de futuro, quando cobrados que somos pelo imediatismo do tratamento aos efeitos. Quando a decisão é nossa, jamais devemos optar pelo caminho errado. Se a decisão é de outros, e esta se der pelas aparências, jamais poderemos deixar de tentar minimizar os prejuízos, enquanto continuamos o processo de convencimento dos nossos superiores. Se isto não for feito, dentro de pouco tempo nada mais nos restará a não ser dizer que a culpa de tanta incompetência é da... chuva?
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