Boa Noite!
Estudo realizado pelo Banco Mundial e que terá sua versão em português divulgada até o início do ano vindouro (Desempenho Hospitalar no Brasil), faz uma profunda análise sobre a questão da EFICIÊNCIA dos prestadores hospitalares em nosso país, sejam eles públicos ou privados. Infelizmente o estudo aponta que nossos hospitais são ineficientes (0,34 de um escore de eficiência igual a UM), resultado este que não deve causar outra coisa senão preocupação a todos os gestores de saúde, públicos e privados.
Um aspecto, porém, eu gostaria de destacar hoje: a questão tão falada e propalada da Qualidade, ou, no caso dos hospitais, do Programa de Acreditação Hospitalar. Existem no Brasil 6.800 unidades hospitalares, mal distribuidas geograficamente, com alta concentração nas capitais. POr outro lado, 60% dos hospitais possuem menos de 50 leitos fator que os torna (e o estudo ratifica), inviáveis financeiramente. A acreditação sempre era apresentada como uma panacéia para estes males, o que obviamente é um exagero, uma verdadeira distorção dos reais objetivos de um programa de qualidade hospitalar.
Porém, dos quase 200 hospitais de grande porte (5% do total), apenas 56 possuem programa de qualidade implantado e um número menor de que estes já alcançaram a acreditação em seus níveis distintos. Ou seja, menos de 1% do total de hospitais no país implantou a acreditação. Claro, alguns dirão: isto requer necessidades de investimentos que aumentam os custos do hospital que implanta tal programa. Certo? Segundo o Banco Mundial, ERRADO!!!
O estudo não encontrou evidências matemáticas de que uma coisa está vinculada ao aumento da outras. Os custos hospitalares sobem como resultado da gestão ineficiente, e se a acreditação é bem feita, este impacto atenua quando não desaparece. POrtanto, não diz a verdade quem alega a Qualidade como causa de aumento de preços.
Não defendo remuneração igual entre os que implantam a Acreditação e os que dela fogem como o diabo da cruz! Mas a discussão deve ser mais estratégica, mais amarrada por resultados mensuráveis e menos emocional ou política. Como é lamentável testemunharmos líderes hospitalares inteligentes se renderem a discursos populistas, agradáveis aos ouvidos mais atrasados do segmento que representam, para garantir votos ou apoio político, em troca de assumirem reais compromissos de mudança de que tanto necessita o setor.
Ainda me admiro de como o ser humano se submete à mediocridade reinante, apenas par agradar amigos e/ou eleitores. Parece que a acreditação não está produzindo nos executivos hospitalares, salvo raras exceções, um dos efeitos mais esperados pela Qualidade: a visão sistêmica e de futuro, capaz de unir os interesses tripartites: empresa, clientes e fornecedores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário