Boa Tarde!
Nesta época de final de ano é comum recebermos diversos arquivos com belas mensagens e lindas paisagens. Elas repetem o que sábios mestres já ensinaram, ou trazem-nos trechos das Sagradas Escrituras, ou inundam nossas caixas com os filósofos desconhecidos que costumam povoar a rede mundial de computadores.
O fato é que todas estas mensagens possuem uma singular característica: geram obrigações e pedem mudanças de vida para... que as recebe! Ou seja, parece que terminando o ano, basta dizermos aos outros o que eles devem pensar, tudo aquilo que eles não fizeram, mas deveriam ter feito, ou qualquer outra tarefa a que eles devem se dedicar. Mas, e a minha mudança interior?
O que é que eu estou assumindo como minha falha neste ano, aquilo em que fui desatento, egoísta ou deixei a avareza me conduzir? Onde está o meu compromisso? Minha assertiva declaração de que serei melhor no ano que vem? Onde estou escrevendo as frases que devem ser lidas e apreendidas pelo meu coração? Por que as escondo? Será que não as escrevi?
Quanto daquelas belas frases foram escritas pensando nos outros, naquilo que julgo ser suas fraquezas, suas falhas, suas carências. Como me foi fácil percebê-las e apontá-las, ainda que eu tenha tido o cuidado de escrever tais "recomendações", numa bela apresentação, sobre lindas fotografias, pois assim julgo que a crítica fica mais... absorvível!
Nada tenho contra estes arquivos, ao contrário, prezo-os muito e costumos refletir sobre aqueles de real conteúdo. Mas, sinto falta da minha carta de mudanças. Será que não deveria ser este o meu texto, para enviar aos meus familiares, amigos e colegas de trabalho, para que tenham a certeza de que, apesar das minhas falhas, continuarei tentando ser melhor no ano que vem, mais humano, mais cristão, mais paciente.
Quel tal experimentarmos criar um arquivo assim, saindo do fundo do nosso coração?
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