Boa Tarde!
É muito bom verificarmos a preocupação de toda a população brasileira em relação ao fato de estarmos aptos e capazes para trabalhar. Melhor ainda percebermos que, apesar dos contrários e das lendas urbanas, os brasileiros gostam e desejam conseguir seu trabalho de maneira lícita e por seus próprios méritos. As exceções, que todos conhecemos, não devem merecer nenhuma reflexão e nem afetar nosso correto entendimento do profissionalismo contido no legítimo desejo de se possuir um trabalho.
O trabalhador deve possuir um comportamento ético, comprometido com as metas estratégicas de sua organização e com respeito aos seus pares e líderes, exigindo, obviamente, a totalidade de seus direitos. Mas, será que podemos afirmar ser todo o trabalhador um vocacionado?
Em minha opinião, vocação e trabalho são coisas distintas, independentes e que, ao se encontrarem produzem o profissional por excelência, seja qual for o ramo em que sua organização trabalhe.
Vocação advém de raiz latina que quer dizer "chamado". Assim, o vocacionado é alguém que, apesar de todas as apostas, opiniões contrárias, modismos, pessimismos e outros "ismos" que tanto proliferam em nossa sociedade atual, e tão pouco ajudam os seres humanso, admite encarar a sua opção como o seu bem maior, seu real projeto de vida, sua própria razão de existir. Por isso, o vocacionado não exitará em deixar sua família, amigos, colegas, prazeres mundanos e similares, para se entregar de corpo e alma ao projeto maior que está por trás da sua vocação identificada e, principalmente, vivenciada.
Se a pessoa vocacionada também assume uma postura de trabalhador profissional, atento às certezas de que o mundo organizacional nos provém momentos de crescimento e outros tantos, ou maior número, de frustrações e desafios, alcançaremos um profissional que alcance o ápice da excelência!
O vocacionado trabalhador não se acha além de tudo e de todos, um super-homem, não! Ele apenas mantém abastecido o seu reservatório de força, sabendo que nos momentos bons estas reservas têm que ser ampliadas, para serem consumidas nos momentos de desestímulo, decepções e por aí vai, de tal forma que o resultado desta soma seja: a manutenção do chamado inicial.
Se eu não exerço a minha vocação, corro o risco de me transformar num autômato, que executa suas tarefas apenas por ter sido bem treinado, sem sentir toda a carga de realização, racionalmente identificada e sinceramente sentida quando mantenho o projeto de vida desenhado anteriormente.
Se não sou profissional, não permito que minha verdadeira vocação seja identificada e corro o risco de me tornar um escravo das tarefas, em troca de um pagamento. Chega-se quase a ser um mercenário do trabalho: basta que me coloquem um valor mais expressivo nas mãos e deixarei de lado minhas crises de consciência e a razão que cobra de mim, coerência e postura.
A vocação real não permite a repetição, a falta de cuidados com as verdades que assumi ao escolher fazer dela o centro da minha vida, o vazio da mera execução de tarefas buscando apenas uma recompensa material. Exercer minha vocação conhecendo os desafios que o trabalho nos traz, e buscando usar da consistência de uma a fonte para superá-los é, com certeza, uma boa receita para se sentir feliz naquilo que se faz.
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