Bom Dia!
Os bancos estavam lastreando suas aplicações em cima destes papéis – as cédulas hipotecárias, para poderem continuar a oferecer créditos imobiliários e atender à demanda, enfrentando a concorrência! Ou seja, sem certeza da liquidez, e sem preocupações mínimas, básicas, de cautela para com créditos elevados e refinanciados, o sistema bancário americano usou e abusou da moeda escritural, obtida sem quaisquer garantias.
Ou seja: o americano de classe média queria sua casa própria e, além disto, ter um padrão de vida pautado por um consumo desenfreado. Para isto contraiu empréstimos elevados, sob a ilusão de manutenção de taxa de juros baixa, e acreditando num poder aquisitivo elevado, ainda que sem fundamento nenhum de que tudo isto pudesse permanecer indefinidamente. O sistema bancário para manter uma concorrência irracional, alavancou os empréstimos concedidos em cima de papéis sem liquidez e que não resistiriam a um choque ou balança negativo do mercado. Quebrou, assim, a regra básica do sistema financeiro que é diminuir riscos, aumentando a rentabilidade. Os bancos fizeram o contrário: em operações de alto risco abriram mão de quaisquer mecanismos de liquidez e segurança.
E o governo americano... Bem esse não foi competente para ver a imensa formação de nuvens escuras no horizonte e, quando viu a tempestade já caindo, demorou demais a decidir e intervir. Acreditando que o mercado se resolveria por si próprio, as autoridades monetárias americanas decidiram... Esperar!
Qual o resultado disto tudo?
No momento em que pressionado pela situação econômica, o Federal Reserve (espécie de Banco Central americano), começou a elevar a taxa básica de juros, aumentando o custo do dinheiro e, simultaneamente, a economia começou a apresentar certa estagnação, cumulada com o crescimento da dívida interna dos Estados Unidos, tudo acumulado resultou num desastre. Os devedores começaram a não pagar. A inadimplência custou caro aos bancos, pois ao retomarem os imóveis descobriram que seus valores estavam muito acima do real e, o que é pior, não haviam interessados na compra destes bens. Mais ainda, como tinham alavancado seus ativos com papéis podres, não possuíam agora condições de honrar seus compromissos, pois eles não restauravam a liquidez necessária.
Não havia dinheiro nos bancos, nem nos bolsos dos devedores. Medida imediata: suspensão dos créditos, para que os bancos não falissem por falta de dinheiro para fechar seus balanços. Sem crédito na praça, os demais setores produtivos que deles necessitam para tocar suas atividades diárias começaram a restringir a produção e o fantasma do desemprego e da depressão surgiu, inicialmente como uma certeza americana e, posteriormente, numa sociedade globalizada, como verdadeiro desastre mundial.
Portanto, a crise apresenta uma tendência que é alarmante: a de enfrentarmos uma DEPRESSÃO MUNDIAL, isto é: queda no consumo, desemprego, inflação em queda e recessão. O pior é que os economistas são bem taxativos: não conhecem remédio para uma depressão.
Quando presenciamos, portanto, medidas adotadas pelos governos europeus e o próprio (des) governo americano, temos que louvar a seriedade e coragem do que estão fazendo. Mas, é importante rezarmos, pois não sabemos se as medidas serão eficazes e bastantes. Fazer bravatas, ou usar palavras bobas para se referir a crise, como tem sido prática constante dos governantes brasileiros, pode induzir nossa população que tudo está bem, ou de que estamos completamente blindados à esta profunda crise, e isto não é bem verdade.
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