Boa Tarde!
Comeaçamos mais um ano. E vamos escutar ao menos por mais uma semana acerca de projeções, previsões e outras bobagens da espécie acerca do ano que se inicia. O coitado do 2009 nem teve tempo ainda de respirar e já se começa a atribuir a ele toda espécie de problemas, catástrofes e tragédias que emergem exclusivamente da vontade dos homens e de seus egoístas projetos. Ou, da falta destes últimos.
De fato, preocupado com o destino que terá em nosso país o Modelo de Atenção Primária em Saúde (APS), popularizado através da estratégia de Saúde da Família, resolvi buscar desde o início do Governo do Presidente Lula todos os pontos que abordassem esta questão e desenhassem nem que fosse um simples esboço de um projeto de futuro para os tempos futuros e a sobrevida da APS.
Eu sou um daqueles que ainda acreditam que o Sr. Presidente não irá manchar sua trajetória política com um terceiro mandato, opção que beira à ditadura, mesmo sabendo da admiração que nosso Grande Irmão tem pelos ditadores Chavez e Fidel. E assim, como creio na democracia declarada, trabalho com a hipótese de que, seja a Sra. Vilma, ou o Sr. Serra, ambos manterão o Modelo de Saúde declarado e legalmente assumido pelo SUS, em seus governos pós-Lula.
A questão é que não achei nada, nem assemelhado a um projeto de futuro. Todos os sites do Governo estão cheios de propaganda populista, bolsa disto ou daquilo, fotos, fotos, e mais fotos do Grande Irmão Petista. Mas nenhum projeto de futuro.
O que isto quer dizer?
O Modelo de Saúde é a espinha dorsal de um sistema de saúde. Sem ele, nada se põe de pé: prevenção, promoção, ações programáticas, e por aí vai. Se o Modelo não é assumido na realidade ele se torna meramente uma filosofia de pára-choque de caminhão: muitos decoram, outros admiram o que está escrito, mas ninguém leva muito a sério. E não se acreditar no modelo assistencial que se escolheu é o primeiro passo em direção ao cadafalso.
Busco as declarações do Ministro da Saúde e também fico preocupado. Onde estão as metas estratégicas e estruturais, aquelas que servem de base à construção programática do Modelo APS? Onde estão as bases concretas do financiamento e a priorização orçamentária para as atividades organizacionais do SUS?
Aliás, para onde foram as promessas de fortalecimento, reforço e ampliação do SUS? Será que o Governo acredita ter iludido a população consciente brasileira, quanto à ampliação do SUS, pela autorização que deu para a cirurgia de mudança de sexo? Realmente é este nosso objetivo ou desafio prioritário?
Pobre 2009... Nem bem começou e já estamos cobrando dele o acontecimento de tudo aquilo que, mais uma vez, nossos líderes políticos prometeram. Mas penso que há uma razão: como 2009 é um ente abstrato e mudo, fica bem jogar em suas costas a irresponsabilidade daqueles que tem costas largas.
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