Boa Noite!
É comum dizermos que as ações de mudança necessitam de atitudes concretas, bem mais do que os belos e vazios discursos que escutamos de muitos líderes em nosso país. De fato, não me parece correta a afirmação de que precisamos de normas para mudar a situação de insegurança reinante. Este pecado nós não devemos atribuir aos nossos legisladores.
Leis existem e às pencas. O que falta, na maioria das situações que nos chocam e agridem, são as atitudes de quem deveria tomá-las. Digo tudo isto, com ênfase na questão da violência urbana e da segurança pública como forma de introduzir meu reconhecimento e alegria com o tema escolhido pela Igreja Católica para ser refletido e aprofundado durante o ano, em especial na Campanha da Fraternidade.
Abordar a Segurança Pública, seus acertos isolados e seus equívocos enquanto sistema, a partir de uma posição concreta e corajosa, que será levada aos púlpitos de todo o país pelos sacerdotes e prelados daquela Igreja é, no mínimo, um serviço social que traduz a preocupação e responsabilidade social da instituição para com todos os brasileiros, católicos ou não.
A Campanha da Fraternidade já é um evento ansiosamente esperado por todos os brasileiros conscientes, pelos temas que coloca em discussão e que, invariavelmente, alcançam os dois campos mais importantes de uma ação desta envergadura: a formação cristã, para aqueles que integram o catolicismo e a formação na cidadania para todos que se debruçam com seriedade sobre os temas, livros e debates/eventos produzidos.
A Segurança em nosso país somente deixará de ser esta tragédia anunciada e vivida por todos, onde os cidadãos de bem são reféns, vivem cercados e isolados, amedrontados e escondidos, tendo hora para sair e para chegar, enquanto os marginais são livres para irem onde querem, quando e como querem e, de quebra, ganhar alguns trocadinhos roubando-nos, quando as organizações que possuem força de denunciar e mudar, adotarem medidas concretas comos estão fazendo os católicos.
Que belo exemplo a todos nos dá a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão que democraticamente discute e escolhe estes temas, ouvindo seus bispos e analisando as propostas à luz das Escrituras e da Tradição, com a força do Magistério da Igreja.
Como é bom podermos ainda sonhar que, um dia, teremos não apenas a Campanha da Fraternidade a levar adiante ações concretas, mas o conjunto das organizações democráticas que sobrevivem neste páis. Quem sabe, assim procedendo, não consigamos convencer nossos governantes que, de discursos estamos fartos! Queremos mesmo, de todo o coração, ações com menor estardalhaço, maior perenidade e melhor eficácia. Queremos voltar a ser, como cidadão de bem, homens livres e com a faculdade de ir e vir assegurada pelo Estado.
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