13 de fev. de 2009

FHC E A MACONHA

Boa Noite!

O ex-presidente Fernando Henrique de Cardoso (FHC) é, sem sombra de dúvida, um dos homens detentores de conhecimento, de influência e das informações estratégicas que um líder nacional com a sua inteligência, adquire. Reconhecido pelo meio acadêmico internacional como profundo conhecedor de questões sociológicas e históricas, atravessou o mundo em palestras e eventos, onde discorreu sobre os mais diversificados temas e, por vezes, falando fluentemente outros idiomas.
Pois bem, este homem é uma referência para boa parcela de nossa população. Ele é o que se costuma dizer no universo da mídia, um formador de opiniões. Percebam que não entrei, e nem o pretendo fazer, na formação de juízo de valor sobre suas concepções políticas ou questões pessoais, pois absolutamente não é o caso.
Mas fiz todo este preâmbulo para externar minha mais profunda tristeza e decepção com este cidadão brasileiro, já pertencente à faixa dos idosos, que com sua experiência tanto poderia contribuir para o combate às drogas em nosso país.
Ontem, num evento realizado por uma dessas ONGs que defendem a ‘legalização’ das drogas, o Sr. FHC resolveu aderir ao movimento pró-maconha. As justificativas e argumentos são tão costumeiros, vazios e pobres, que prefiro não repeti-los. Mas preocupa-me o descaso com a sua imagem e história.
FHC costuma gabar-se, e com razão, da árdua luta que liderou com os técnicos do governo, para a implantação do Plano Real, nos idos 1994, numa ação visionária e bem gerenciada, que criou as bases da estabilização que faz sucesso até hoje. Ele sofreu, à época, duras críticas do próprio PT que detonava o plano, óbvio antes que ele se mostrasse um campeão de bilheteria. FHC se manteve firme e usufruiu os louros de sua visão nos dois mandatos que a população brasileira lhe outorgou quase que exclusivamente pelo sucesso do Real e a estabilidade dos preços.
Ontem, em minha opinião, o ex-presidente rasgou páginas de sua história pessoal e de líder brasileiro.
A maconha é a ponta do iceberg que o crime organizado deseja para tomar legalmente a juventude brasileira sob suas garras. Não se pode considerar injustiçada uma droga que destrói vidas, arruína saúdes e desequilibra de forma absurda quem dela faz uso. Ou será que o Sr. FHC não sabe disto?
Liberar a maconha é abrir a porta de cada casa onde reide uma família e convidar o mundo das drogas a nela adentrar. É ser covarde quanto à real discussão que se necessita fazer: a falência do modelo educacional relativista e puramente materialista que os governos (inclusive o dele), implantaram em nosso país. O crime ceifa vidas não apenas pela violência das armas usadas, mas principalmente pela covarde e traiçoeira omissão dos governantes que ora se demonstram incapazes da repressão (somos nós, cidadãos que teremos também esta culpa?), ora adotam estratégias atabalhoadas de combate, ora assumem a triste postura de ‘jogar para a platéia’, fazendo discursos não do que se devia dizer, mas daquilo que determinados setores da mídia gostam de ouvir.
Que pena, ex-presidente. Quanto seria válida sua firme opinião de combate ao desumano mundo do tráfico, para tantos jovens, se tivesse havido coragem de assumi-la numa manifestação pública. Quanto seria importante que sua foto não estivesse estampada hoje nos jornais sob manchetes que fazem apologia à droga, ainda que sob o falso pretexto da ‘democracia’.
O que estão sentindo os pais, irmãos, tios, cunhados, noivos, esposos, namorados, etc de todas aquelas vítimas de irresponsáveis que usaram uma arma após se drogarem com a droga que, agora, o senhor passa a querer ver legalizada?
O que o senhor dirá, se um deles o encontrar? Será: “Esqueçam o que escrevi!”?

Nenhum comentário: