4 de fev. de 2009

TRISTE COMEMORAÇÃO

Boa Noite!

Os jornais noticiam hoje a redução no crescimento do número de homicídios na cidade do Rio de Janeiro (RJ), entre os meses de Janeiro a Outubro de 2008, quando comparados com o mesmo período de 2007. Foram 1.938 casos em 2007 contra 1.699 no ano passado. reduziu-se de sete homicídios por dia, para seis casos.
Comemorar o que?
O número de homicídios, seja ele sete ocorrências diárias, ou seis, é alto, alarmante e cria em todos este clima de insegurança, medo e instabilidade, propícios ao desenvolvimento de outras patologias tão graves como a violência urbana. Um clima de tristeza perpassa toda esta bela cidade, fazendo com que seus lugares públicos, brindados pela natureza com uma singularidade tão específica e delicada, pareçam tingidos pelo vermelho do sangue das vítimas.
Vale lembrar que estes casos são aqueles registrados de forma oficial. As pessoas desaparecidas não entram nesta estatística macabra.
A violência ataca as bases da sociedade democrática, ao inverter os papéis da cidadania: é o cidadão de bem que se esconde, protegendo-se atrás de imensos muros, arames e cercas eletrificadas, reduzindo suas andanças e adequando-as aos horários nos quais o crime dá uma ‘folga’. O marginal, ao contrário, tem livre acesso aos lugares públicos; nos horários que deseja e da forma mais ostensiva possível.
O Sistema de Saúde se ressente da ação do crime, torna-se impotente perante a violência, pois sequer pode resgatar a vida de muitos dos pacientes que lhes chegam no atendimento das emergências.
Exigir-se da Saúde Pública uma celeridade e estrutura que não possui, para fazer frente aos desmandos causados pela violência, é olhar o problema de trás para frente. As emergências devem estar prontas para atenderem ao que lhes é exigido pelas necessidades de saúde da população adscrita.
A violência deturpa esta quantificação e agride ao sistema de saúde de maneira sistemática e desestruturante. A solução não é aumentar o número de leitos de emergência por causa da violência, mas sim de equipar, treinar melhor a ampliar o contingente repressor.
Por tudo isso, embora seja um ponto positivo a redução do número de vítimas de homicídios, a simples existência delas, em qualquer quantidade, é uma derrota para toda a sociedade organizada e democrática.

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