20 de mar. de 2009

ABAIXO AS GENERALIZAÇÕES!

Boa Noite!

Os jornais brasileiros reproduzem hoje uma pesquisa efetuada nos EUA, pelo periódico USA Today, e que pergunta aos americanos: “Você acha que as pessoas de Wall Street são tão honestas e éticas quanto as demais?”. O resultado em 2006 (antes da crise do SUBPRIME), foi de 41% como SIM (ou seja, eles acreditavam). E a última, efetuada na semana passada, alcançou o recorde negativo: apenas 26%, numa manifestação preocupante de descrédito e generalização.
O descrédito é esperado, uma vez que se incentivou largamente aos pequenos e médios investidores, a compra de papéis destas empresas envolvidas na irresponsável ciranda de crédito que originou esta crise mundial. Mais ainda, quando se têm executivos insensíveis ao momento, exigindo pagamentos de altíssimos bônus com dinheiro público, oriundo da taxação dos cidadãos que eles próprios deveriam ter cuidado, podemos esperar que o sistema esteja, no mínimo, destroçado em sua credibilidade.
Mas a generalização é que preocupa.
Primeiro, porque como toda unanimidade, a generalização de uma opinião ou de um conceito, sem buscar identificar as nuances do fato, a participação dos agentes e as responsabilidades específicas, é burra.
Segundo: ao se transformar todas as empresas e/ou todos os executivos numa mesma massa desinforme e rotulada de desonestos, chega-se à encruzilhada crucial: para onde irão as reservas e restantes de investimentos? Quem cuidará da poupança? Será que ainda existe (afora os fãs de Chávez e demais ditadores da espécie) alguém que acredita ser o inchaço do Estado a solução para alguma coisa?
O setor financeiro é mais um setor estratégico em uma nação. Seja ela desenvolvida ou não. Ele não é um setor “especial”, não deve receber mimos e nem privilégios. Mas deve ter garantido o seu direito de atuar, captar e financiar todos os setores produtivos da nação.
Para que isto funcione, punam-se os infratores. Aliás, bandido não deveria ter distinção, exceto quanto ao agravamento da pena por ter maior formação e capacitação (e não ao contrário).
Daí a se generalizar o que ocorreu traz sérios riscos à economia americana e, por reflexo direto e indireto, à estabilidade econômica mundial, já tão difícil na atual conjuntura. Por outro lado, este tipo de sentimento, bastante alimentado pela mídia sensacionalista, faz com que o Sr. Obama pose de super-herói, o que absolutamente ele não é. Aliás, o Presidente americano, até agora, tem procurado jogar para a platéia, agradar no presente e tem deixado o futuro para depois. Como qualquer adolescente irresponsável, coisa que ele certamente não mais o é, deveríamos perguntar: quando Obama resolver pensar em ações voltadas para o futuro, ainda dará tempo de se falar em futuro?
Ter cuidado com generalizações, vigiá-las e evitá-las é receita de bolo para gestores: antiga, bastante conhecida, mas certamente insubstituível.

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