1 de abr. de 2009

PÁGINA VIRADA...

Boa Noite!

Os principais jornais brasileiros relembram em 31 de março, os 45 anos do Golpe de Estado (ou Contra-Revolução para os que o apoiaram), que destituiu o Presidente eleito João Goulart e implantou o Governo Militar até 1986. É óbvio que os depoimentos são totalmente antagônicos e, nem por esperança, seremos capazes de encontrar um ponto de convergência dentre aqueles que participaram do golpe, ou foram seus alvos.
A queda de uma democracia, seja ela liderada por forças militares, seja por civis, jamais produziu em toda a história da humanidade, resultados satisfatórios e que causem boas recordações aos povos. A democracia pode, e em muitos casos efetivamente é, imperfeita. Ela não coíbe a ascensão de demagogos, e nem evita corrupção.
Mas ela sempre será a luz no fim do túnel, o porto seguro para os navegantes de águas agitadas, a última reserva de esperança nos momentos em que, desacreditados e decepcionados com nossos líderes, deixamo-nos navegar pelas expectativas de um futuro melhor.
Democrata não é alguém que agrada, que deseja ser “bonzinho”, que sempre joga para a platéia. A democracia não está associada às palavras doces, aos afagos protocolares. Ser democrata é buscar a justiça de uma forma constante, inegociável e coerente. É defender os menores, os humildes, os excluídos, pela efetiva inclusão no meio produtivo.
Ser democrata é dar testemunho do que se defende em discursos e palestras, estar à frente das mudanças, pela mudança do seu próprio comportamento e dar exemplos que estejam intrinsecamente ligados as suas palavras.
Ditador não é apenas aquele que agride fisicamente, que usa armas para coagir, que restringe as liberdades e pune os que a ele se opõem. Estes são criminosos duas vezes: pela democracia roubada e pelas agressões impetradas. Ditadores são, ainda, aqueles espécimes que se infiltram em quaisquer organizações não por seus méritos profissionais e pessoais, mas por fatores alheios à vontade da grande massa de seus usuários, apenas para delas usufruírem em benefício próprio. Ditadores querem roubar nossas almas, impondo um silêncio forçado as nossas vozes e consciências.
Por tudo isso, não consigo mais separar em nossos dias, direita de esquerda. À parte as violências cometidas, em todas as suas formas, qual o muro que separa nossas lideranças atuais entre democratas e ditadores? Quais as causas coletivas que nos permitem, por suas defesas, discerni-los?
O golpe de 1964 não deve ser esquecido. Como não devem ser olvidados nenhum dos golpes que infligem à democracia nossos líderes: os escândalos; as negociatas; as tentativas de quebrar a constituição para se obter mais mandatos; as retiradas de direitos individuais em países irmãos; as violências contra a propriedade privada que está dentro da lei; apenas para falar de algumas que mais doem.
Discutir o 31 de março deveria nos fazer olhar para o futuro que desejamos. Virar a página do passado cuidando para que ele não se repita. E a melhor maneira de fazê-lo é não permitir, para ninguém, ou sob nenhuma justificativa, que aventuras como o terceiro mandato se tornem realidade. Vigiai e orai...

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