29 de mar. de 2009

A PORTABILIDADE FINANCEIRA

Boa Tarde!

No próximo dia 15 de abril entra em vigor a tão anunciada portabilidade dos planos de saúde, pela qual, como já discorremos anteriormente, grupos familiares ou indivíduos poderão migrar entre planos de mesmas características, sem cumprimento de carência. Repetidas vezes apresentada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como algo próximo à oitava maravilha do mundo, a portabilidade está a cada dia mais próxima de ser, exclusivamente uma ferramenta de seleção de risco financeiro.
Vejamos porque:
1. Ao incentivar a troca meramente pela expectativa financeira, a ANS está criando uma cultura anti-saúde: ao invés de buscar melhor opção de cuidados, os clientes estão sendo “doutrinados” a calcularem, sob sua opinião (pura “achometria”), qual é a melhor operadora para a “doença” do seu parente e, assim, transferi-lo para aquela empresa. Portanto, ter uma aparência de solidez, na opinião do público formada sabe-se Deus por quem, é garantia de receber sinistralidade sem colchão de liquidez;
2. As operadoras que perderem estes clientes agravados, por sua vez, promoverão verdadeiras “queimas de preços”, para manterem os que se acham hígidos. Quem sabe testemunharemos “queimas de estoque de planos” ou “liquidações de final de estação”. Onde entra a priorização da atenção à saúde?
Como a ANS pensa estar levando as operadoras a desenvolveram um Modelo de Saúde, conforme preconiza e brada em todos os seus (inúmeros) eventos?
A portabilidade não deveria ser mais uma oportunidade perdida de levarmos efetivamente para o centro das discussões na saúde suplementar, o modelo de saúde adotado pelas operadoras. Ela jamais dará os frutos de qualificação pleiteados por todos ao depositar todas as suas fichas num modelo de incentivos meramente financeiros. Pior, ela termina por punir as operadoras que desenvolvem, ou pretendiam desenvolver, ações programáticas de saúde.
Assim fica difícil entender o que deseja a ANS para este mercado. Aliás, parece às vezes que a própria agência ainda não tem claro bastante o que realmente deseja. Todas estas oportunidades desperdiçadas, cedo ou tarde, cobrarão as suas contas a todo o setor suplementar.

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