25 de mar. de 2009

A PREVENÇÃO E O ESTUDO DE FRAMINGHAM

Boa Noite!

Framingham é uma comunidade pequena (ainda não foi elevada à condição de cidade) que se localiza no Estado americano de Massachusetts, originada de uma incorporação de terras ocorrida por volta de 1700 pelo cidadão inglês de nome Thomas Danforth, oriundo de Framlingham – Grã-Bretanha. Por volta do ano 2000, ela contava com cerca de setenta mil habitantes, distribuídos em 68 Km2 o que a torna bastante populosa.
Mas esta pacata cidade, na qual funcionam diversas corporações industriais, também é palco, desde 1948, do mais importante estudo longitudinal já realizado acerca da epidemiologia das insuficiências cardíacas (IC). Naquele ano, um grupo de pesquisadores americanos, preocupados com a crescente incidência de casos, elevação da mortalidade e, claro, aumento dos gastos com as insuficiências, reuniu-se nos arredores do lugar e deu início a esta pesquisa que já alcança gerações distintas dos indivíduos pertencentes à população acompanhada.
Já são mais de 5.209 indivíduos avaliados bienalmente desde 1948, com a inclusão dos seus filhos a partir de 1971. Todos esses acompanhamentos se reúnem numa única base de dados que vem sendo empregada para determinar a incidência e a prevalência dos casos de insuficiência cardíaca, definida com critérios clínicos e radiográficos cientificamente reconhecidos e consistentes.
Agora, uma nova divulgação deveria encher os olhos das organizações e dirigentes de saúde em nosso país: com os trabalhos de prevenção e promoção, foi possível reduzir em 50% as mortes decorrentes de problemas cardiovasculares naquela população acompanhada, entre 1968 e 2000.
Ou seja, os Estados Unidos gastaram com problemas cardiovasculares, em 1989 (fonte:http://www.tecmeddeditora.com.br/catalogo/Xtras/Medicina/859927614X_amostra.pdf), cerca de 9 bilhões de dólares. Destes, mais ou menos 2% (ou seja: 180 milhões) foi o gasto com todas as ações de promoção e prevenção realizadas naquele país. Por outro lado, daquele mesmo montante, cerca de 70%, ou seja, 6 bilhões de dólares são despesas com tratamentos hospitalares. Se considerarmos que a redução da mortalidade, e mesmo da prevalência de casos de IC nos pacientes acompanhados, tem impacto direto sobre os gastos hospitalares, bem podemos afirmar que a promoção não apenas se paga, mas gera expressiva redução de desembolsos.
Mas, então porque não se investe em promoção?
Porque a miopia gerencial daqueles que decidem sobre os orçamentos públicos e privados em nosso país, não lhes permite enxergar além da próxima apresentação de balanço aos acionistas, ou eleitores, ou seja lá quem for.
Cuida-se do agora (e mal), em detrimento de uma estabilidade futura que assegure melhores resultados em saúde e longevidade pelo equilíbrio econômico e financeiro das organizações.
A prevenção à saúde paga um alto custo por exigir, para a real compreensão de sua importância estratégica, uma capacidade gerencial e visão sistêmica acuradas e dinâmicas. O mercado de saúde brasileiro insiste no imobilismo, na repetição de velhas, surradas e malfadadas soluções que, não deram certo nos lugares onde foram aplicadas, não viabilizaram as organizações que as adotaram e nem agregaram valor ao cliente. Porém, são soluções que asseguram o próximo balanço. Após o qual, esperam tais dirigentes, poderão estar “a salvos” em outras empresas. Tão salvos quanto um campeão olímpico de natação pode se sentir, de forma equivocada, ao se descobri no centro de um TSUNAMI...

Nenhum comentário: