14 de abr. de 2009

A AIDS E O PAPA

Boa Noite!

Mais uma revista que teria o cunho científica resolve abrir suas baterias contra o líder maior da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, acerca de suas declarações efetuadas no continente africano, nas quais conclamou os fiéis a mudarem seus hábitos e não se valerem do uso de camisinhas como se elas fossem a principal proteção contra a crescente e irreversível epidemia de AIDS.
A revista The Lancet desdiz o Papa e afirma que apesar dos 9 bilhões de camisinhas vendidas anualmente em todo o mundo, o crescnte número de infectados (cerca de 3 milhões de pessoas em 2008) indica a "necessidade nde maior uso".
Eis o ponto central da questão: por ano são fabricadas, segundo a UOL (Boa Saúde, de 13.04), cerca de 19 bilhões de camisinhas, pelas poderosas indústrias farmacêuticas. Cada unidade destas chega ao nosso país a um preço estimado de US$ 0,23 (ou algo em torno de R$ 0,69). Alguns estudiosos acreditam que este preço de chegada seja capaz de ser reduzido em até 25% com pequenas mudanças nas políticas públicas que envolvem tão estratégico material.
Portanto, para exemplo, tomemos o preço de fábrica da camisinha em torno de R$ 0,51 (R$ 0,69 x 75%). Teríamos então o assombroso número de US$ 5 BILHÕES DE DÓLARES que as empresas fabricantes estariam deixando de comercializar se todas as populações vítimas deste flagelo, com especial ênfase a africana, passassem a mudar seus comportamentos sociais, entendessem o relacionamento entre homem e mulher como algo mais sublime e superior à prevaricação, deixassem a vulgaridade e a promiscuidade no lugar em que deveriam estar: na lata de lixo!
É óbvio que quando um líder religioso emite sua opinião acerca de qualquer assunto ele segue as verdades teologais nas quais acredita e segue. As religiões não constroem edifícios humanos e sim pontes para as moradas espirituais eternas. Mas é no mínimo injusto mostrar-se a declaração do Santo Padre como deslocada, ou retrógrada, sem se abordar a questão central do uso da camisinha: os ganhos das indústrias.
Existem 10 bilhões de camisinhas, de curto prazo de validade, que sobram por ano no mundo. É preciso haver compradores para elas. E isto só ocorrerá se a promiscuidade passar a ser entendida como a opção natural da sociedade e não a visão correta de equilíbrio e fidelidade conjugal. Realmente, ambas as posições são opostas e irreconciliáveis. A questão é: o que pretendem os defensores da camisinha? Um mundo sem AIDS, ou um maior mercado consumidor de preservativos, para alegria dos seus fabricantes?

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