Bom Dia!
No noticiário matinal de hoje da Tv Globo (Bom Dia Brasil), um ilustre Deputado Federal declarou, a respeito da Farra das Passagens Aéreas que o povo tinha que entender "que o Deputado Federal é eleito junto com sua família". O nobre representante do (seu) povo buscava assim justifiar sua indignação com a possibilidade de não mais poder emitir bilhetes aéreos pagos por todos nós, para os membros de sua família.
Tentei buscar outras categorias que também fossem "eleitas" com seus parentes, mas não consegui encontrá-las. Os gestores ao serem removidos por suas empresas, em grande número de vezes sem ser este o seu desejo, arcam com as despesas das viagens de seus parentes. Os profissionais liberais, idem. E por aí vai. Por que os parlamentares são diferentes?
Porque a questão da Ética saiu da pauta eleitoral em nosso país há alguns anos atrás.
Porque nós começamos a fazer piadas e achar graça com as sequelas desta maldita Lei do Gérson, onde os "espertos" sempre buscam levar vantagem em tudo.
Porque nós estamos aceitando candidamente todas as "verdades" que nos são impostas por meios de comunicação com interesses dos mais escusos, ao invés de ocuparmos nosso espaço junto aos nossos filhos, nossos alunos, nossos funcionários, enfim, nos lugares onde podemos (e devemos) fazer a diferença.
Atribuímos duras responsabilidades e cobramos corretos comportamentos aos outros. Exigimos deles compreensão, atenção e correção. Mas saímos por aí relativizando: dando um "jeitinho" no Imposto de Renda; passando ao largo das notas fiscais; comprando artigos sem saber sua origem; e por ai vai...
A hipocrisia do parlamentar só acontece, porque perdemos a capacidade de manifestar nossa indignação com a perda ética que a sociedade brasileira vem sofrendo.
Não é verdade que o deputado, ou senador, seja eleito "com" a família. Ele deveria, sim, dar com ela o exemplo de moralidade e representação digna que fazem parte do escopo real da Política. Mas, se nós não cobramos, para que ele vai achar que tem de oferecer?
A justiça é um bem coletivo. O crime é uma ação particular, ainda que feita por associação. A conivência não deixa de ser uma forma de omissão e esta última se equipara ao crime para todos os efeitos penais.
Chega de omissão e de conivência. Mas façamos isto pelo exemplo, pelo testemunho individual em nossas vidas e nas profissões exercidas. Só posso querer para os meus, aquilo que a todos está acessível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário