17 de abr. de 2009

SONHO OU PESADELO?

Boa Noite!

A concentração no mercado de saúde suplementar é cada vez mais uma tendência irreversível. No dia de hoje, a mídia divulga a entrada em cena, como comprador, de um novo/velho ator de peso: o grupo Bradesco. Confirmada a compra da Rede de Laboratórios Fleury (SP), que por sua vez vinha comprando outros pequenos grupos, consolida-se um novo panorama neste segmento de exames, assim como eleva-se a aglomeração de muitos nas mãos de poucas empresas.
Causas para a concentração?
Uma insistente e repetida manutenção de práticas empresariais, gerenciais e negociais caducas e ultrapassadas, privilegiadoras de resultados financeiros imediatos, mas não estruturantes, aliadas às estruturas e escolhas de amigos, e não de técnicos competentes, está na base das causas principais de inviabilização destas empresas.
A Saúde Suplementar brasileira não está carecendo, apenas, de aportes expressivos de recursos e investimentos novos, o que por si só já é fator alarmante para a estabilidade do setor; ela simplesmente não possui e não está formando em velocidade de reposição e na medida das necessidades prementes, novos quadros de gestores competentes e com visão sistêmica. Bons administradores têm sido constatações personalizadas e espécimes raros, são exceções num momento em que o setor precisa da competência de gestão como regra.
Não se ousa na questão dos modelos: sejam eles de negócios, sejam eles afetos ao tipo de assistência que se deseja ser o carro-chefe dos projetos estratégicos das organizações. Aliás, que projetos? A crise requer pensar novos caminhos que transformem os pesadelos em sonhos, com pé no chão e cabeça nas nuvens.
Não consigo vislumbrar avanços nesta concentração. Apesar de ser defendida sempre pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, o enxugamento do mercado que resultar apenas do maior poder financeiro não será jamais garantia de melhoria de qualidade ou agregação de valor ao cliente-paciente.
Não consigo enxergar os ganhos para o modelo de Atenção primária preconizado e decantado em prosa e verso pela ANS, nos seus momentos de empolgação acadêmica que poucas vezes se transformam em decisões efetivas para o mercado. Não me alegra a possibilidade de nos transformarmos todos em meros fiscais da sinistralidade, ao invés de efetivos gerentes de saúde de sistemas coletivos.
O sonho da ANS me soa como um pesadelo em noite de verão: sofrido, demorado, quente e suado!

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