Achei que você não era feito de pele e ossos, como todos nós.
Muito coração, muita felicidade com nossas vitórias, mas nada de vulnerabilidade, nada.
Achei que você não iria nunca nos deixar sozinhos neste mundo, pois foram
Raras vezes em que precisei e não chegastes antes que eu pedisse...
Ou pensando bem, nunca precisei pedir tua ajuda, teu apoio, tua palavra de coragem!
Fostes sempre muito mais do que um amigo, pai.
Era teu exemplo que me guiava nos embates da vida profissional,
Raras vezes ouvi em teus lábios a palavra não,
Nunca nos deixastes desanimar ou desistir dos nossos sonhos,
Amaste-nos do teu jeito, sertanejo, paraibano, nordestino.
Não nos legastes matéria, nem tampouco forma ou aparências, não!
Deixastes para cada um dos sete, um conteúdo de fé, perseverança e perdão.
E amastes mais a quem te amou menos, partilhastes com quem te tirou,
Soubestes viver a regra de ouro cristã, mais do que jamais pude compreender...
De que mais poderíamos querer como filhos? O que mais importa neste egoísta mundo?
E nós, filhos, que somente crescemos quando nos tornamos pais,
Ou quando a solidão dura do mundo nos desperta do estupor causado pela soberba,
Lamentamos não termos aproveitado mais tua presença, o teu amor sempre disponível.
Isso talvez seja a mais dura lição da ausência: nunca aproveitarmos bem a presença!
Vejo, porém, quantas lições ficam e se incorporam em nossas existências,
Exigindo de cada um de nós a mudança, o testemunho, a retidão, a caminhada.
Irias sofrer se desistíssemos agora.
Ririas até as gargalhadas com os nossos medos e temores,
Ah se pudéssemos sentar em tua volta após o almoço dominical, de novo...
Sabes que a saudade é moradora que não se despeja do coração de quem ama.
Onde estás (num lugar melhor do que o nosso), deves acompanhar nossas tristezas.
Brincas com nossas saudades, pois jamais estivestes tão próximo e presente!
Rimar teu nome com o amor é fácil, pai, são palavras sinônimas...
Incansável guardião de nossas integridades, também agora nos defendes junto do Pai,
Não sou capaz de imaginar o lugar onde estás, mas
Hoje, de maneira especial, sinto uma doce e triste saudade das nossas conversas e risos...
Ou, melhor dizendo, pai, hoje, mais que nunca, gostaria de poder te abraçar não apenas com minha lembrança...
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