8 de ago. de 2009

EM DIREÇÃO AO MEDO

Boa Noite!

Devemos sempre caminhar em direção aos nossos medos, jamais querendo contorná-los ou, pior das escolhas, procurando aspectos que os atenuem ou nos façam esquecê-los. Tememos o desconhecido, dizem-nos com a sempre lógica precisão, os filósofos gregos. Mas tememos em especial o que queremos desconhecer!
Nossas vidas não são preenchidas com as melhores escolhas. Ao contrário, inúmeras vezes deixamos de lado as sábias orientações recebidas, os mais preciosos e oportunos conselhos, para nos atirarmos em direção à comodidade, à covardia, ao egoísmo. E exatamente nestes caminhos depraremo-nos com a imensa e lancinante dor do arrependimento, da constatação do equívoco que alguém que nos ama já nos alertara tempestivamente!
Se ousássemos caminhar em direção aos nossos medos, teríamos sido capazes de perceber a real dimensão por eles possuídas, as nossas carências e fraquezas a serem superadas para vencê-los, o tamanho do projeto pessoal e profissional que realmente estabelecemos para nossas vidas.
Não são os medos que nos paralisam, e sim nossas culpas, como diz a poesia tão bela do Pe. Fábio de Melo.
Medos fazem crescer, ao serem enfrentados. Culpas aprisionam e reduzem nossa existência a uma silenciosa e medíocre fuga da realidade. Caminhar em direção ao que desconhecemos é, sempre, a rota dos vencedores. Fugir do confronto com a realidade é abandonar toda e qualquer possibilidade de vitória.
Medos fazem com que busquemos as reservas que acumulamos ao longo de toda a nossa vida, sejam elas espirituais, existenciais, profissionais, afetivas e por ai vai. Culpas fazem com que desistamos de tudo o que nos desafia: do confronto com a verdade, porque machuca; da necessidade de mudança, porque nos incomoda; da imensa soberba que enche nossa insignificante existência, porque ao ser desmascarada mostra de forma inquestionável a rídicula e mímina estatura do poder temporal e humano.
Não devemos fugir dos nossos medos. Por mais feios que se pareçam, maiores que tenham se tornado, ou mais assustadores que a nossa imaginação os tornem, eles sempre estarão localizados entre as trevas das nossas covardias e a imensa e bela luz que a verdade, e somente ela, nos propicia. Fomos criados para a luz e é em direção a ela que devem ser apontadas as bússulas dos nossos corações.

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