Bom Dia!
Com a superação da fase mais aguda da crise, ainda que esta permaneça agora em sua etapa silenciosa e à espreita de qualquer falha, deve-se retomar uma questão essencial ao sistema de saúde: qual é (ou deverá ser) o novo papel assumido pelos hospitais dentro do sistema?
A pergunta é cabível quando sabemos que apesar da sobrevivência sem maiores alterações, existe uma realidade de bastidores que explica muitos mais a permanência quase que intocável deste segmento no pós-crise:
primeiro, aqueles que já haviam se precavido por razão completamente diferente de prevenir-se contra a crise (concentração do mercado hospitalar no país), puderam administrar seus recursos externos, em alguns casos até melhorando o perfil de suas dívidas e conseguiram safar-se, mais ou menos sem arranhões aos seus projetos estratégicos;
segundo, os que já estavam quebrados por causas que são anteriores à mesma crise, de há muito administram o caos, porém foram brindados com o grande pânico gerado pela mídia acerca da gripe suína. As emergências hospitalares estão lotadas (local menos recomendado para se buscar orientação clínica), e sabemos a capacidade daquele setor em gerar atendimentos rentáveis ás empresas do ramo. Portanto, a crise de crédito não melhorou e nem piorou os inúmeros hospitais brasileiros que, literalmente, estão lutando para fecharem seus caixas dia após dia (deixando as dívidas na mesma posição - inadimplentes).
O que deve ser debatido é: quais os caminhos que tais empresas, essenciais ao Setor Saúde, adotarão para sobreviverem? A concentração está em curso, mas ela tem fatores limitantes: o número de adquirentes é pequeno, assim como os recursos encareceram nos bancos. Quem tem capital próprio, como é o caso da AMIL, já não pode mais contar apenas do tino comercial de seu proprietário, pois a abertura de capital traz para a organização os demais acionistas e o processo de convencimento destes não é, necessariamente, algo fácil e nem tão rápido.
Portanto, surge no horizonte destas organizações uma encruzilhada.
Em um caminho, a busca pela formação de parcerias financeiras, através de fundos que os tornem capazes de efetivar aquisições rentáveis, possíveis de dar aos investidores o retorno desejado e garantir-lhes a manutenção das suas portas abertas; ou,
Uma outra opção de alterar o seu perfil de atuação buscando novos serviços que requeiram baixos investimentos e que, se bem administrados, possam garantir-lhes rentabilidade pelo volume, numa variação expressiva da estratégia que adotaram no final do século passado e que prevaleceu durante toda esta década.
Outras alternativas, como a verticalização, parecem-me medidas extremas e que, aos bons gestores do segmento não deve estar dentre suas principais alternativas. A questão a se pensar, do lado dos compradores de serviço deveria ser: onde nós entramos e como ficaremos se a alternativa usada for uma ou outra? Mais uma vez as discussões estão lentas, ou quase que inexistentes. Deixar-se pautar pela escolha deles, após terem sido efetivadas, vai se tornar um risco tão grande quanto seria para o sistema a quebradeira generalizada de nosocômios. Portanto, a análise destes cenários deve estar acoplada a quaisquer discussões que se façam acerca de mercado de saúde suplementar no país.
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