Bom Dia!
O jornal "Folha de São Paulo" traz hoje em sua primeira página a foto de um homem completamente desolado pela destruição de seu barraco e tudo que possuía, resultado do cumprimento do mandado de reitengração de posse pela invasão ocorrida de terreno privado há cerca de dois anos. A fotografia é chocante. Menos pela destruição material, resultado esperável desta eterna e insolúvel discusão de inclusão social neste país, transformada em distribuição de esmolas e autorização para cobnflitos pelo governo atual, e mais pela demonstração inequívoca da destruição do espírito que nos transparece a dor do homem anônimo que chora.
Não existe desenvolvimento sem caridade, brada o líder da Igreja Católica Bento XVI. Não se pode falar em avanço quando o resultado visível dele é o aumento da concetração da riqueza em uns poucos, diretamente proporcional ao aumento da exclusão, da violência, do materialismo, enfim de todas as nuances que são capazes de tornar o ser humano ainda mais egoísta e individualista.
Ser caridoso é diferente da gentileza afetada, aquela que povoa as mais altas classes de nosso país e que é protegida por uma total e absoluta falta de vergonha, de moral, de ética por aqueles que deveriam dar o exemplo primeiro.
O homem da foto esconde sua tristeza dentro de sua maltrapilha e surrada camisa. Não que ele se envergonhe das lágrimas de abandono e descaminho. Apenas porque não deseja que sua dor, solitária e agora capturada para o resto dos tempos pela lente de um jornalista, sirva de maiores motivos de escárnio e piada pelos que governam este país.
A solidão daquele pobre, e não quero entrar no mérito das invasões, pois sou absolutamente contrário a quaisquer quebras de direitos legalmente instituídos, pode bem representar a solitária jornada de todos que defendem a vida em nossos dias.
Saiu de moda fazê-lo. Não é "chique" falar em vida, salvo se for durante uma entrevista global feita de maneira totalmente artificial, em mansões luxuosas e, principalmente, longe da pobreza real. Aliás, na mídia nacional, nem país pobre aparece pobre nas novelas, quanto mais os pobres de verdade!
Crescer economicante deve estar associado à integrar na produção, ampliar a possibilidade de melhoria e concretamente assegurar acesso a tudo o que o ser humano é merecedor. Não falo de desejos, e sim de um mínimo chamado necessidades primárias e básicas nas suas vidas. A tristeza daquele homem consegue sair das páginas do jornal. Gostaria imensamente que ela fosse capaz de alcançar os corações de pedra que se instalaram nos diversos poderes que existem em nosso país. Talvez um dia, quem sabe, as lágrimas que testemunhemos possam ser de alegria e não mais da solitária e desconsolada tristeza daqueles que não tem a quem recorrer, nem aonde ir e nem em quem acreditar.
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