18 de ago. de 2009

UMA QUESTÃO ESTRATÉGICA

A questão da Saúde Ocupacional (ou Medicina do Trabalho como é popularmente chamada) ainda é mais ideológica e partidarizada em nosso país, do que vista como instrumento estratégico de gestão pelas organizações produtivas.
A produtividade de uma empresa não passa apenas por belos (e necessários) quadros motivadores da equipe de funcionários que possui. Tampouco será todo o conjunto de bordões e refrões, tão comuns em quaisquer tipos de empresas, repetidos à exaustão por aprendizes de gestores que farão surgir funcionários motivados, compromissados com os resultados estratégicos e, principalmente, hígidos.
De fato, a saúde ocupacional não deveria ser vista apenas como a forma de uma organização “livrar-se” das obrigações legais trabalhistas, dentre elas o famoso e mal usado exame periódico de saúde dos trabalhadores.
O diagnóstico obtido pelas equipes técnicas que cuidam da saúde do trabalhador não se refere a este ou aquele empregado: ele expressa o verdadeiro estado de saúde da empresa! Se ela investe em treinamentos, gasta montanhas de dinheiro em mídia e, na hora de vender, não tem seus funcionários aptos a consolidar a imagem criada, cairão por terra suas vendas, seu nome empresarial e seus ganhos esperados.
Uma empresa que adoece seus empregados pode até pensar que está afetando apenas a eles. Mas as vitoriosas serão aquelas que conseguirem manter sua força de venda sadia, atuante e motivada.
A Medicina voltada para o Trabalho continua a ser mal aproveitada pelas empresas. Estas últimas, invariavelmente, terceirizam a execução das papeladas jurídicas e deixa fugir de suas mãos um importante olhar efetuado sobre o quadro dos seus colaboradores.
Estamos longe, ainda, da compreensão desta importância. Porém, o pior é relegarmos às bandeiras ideológicas a gestão de parte tão importante e estratégica para a saúde coletiva. Se de um lado os patrões perdem tão rica oportunidade, por outro lado se tende a formar um grupo de defensores paternalistas de uns poucos, em detrimento da grande massa de trabalhadores sérios e profissionais que desejam, apenas, ter um ambiente saudável onde possam fazer fluir toda a sua enorme potencialidade de produzirem resultados estratégicos para suas organizações.
Talvez seja esta a hora de repensar-se como e para o que usamos em nossas empresas a saúde ocupacional. Antes que o desvio fique tamanho que impossibilite uma volta qualificada ao caminho do profissionalismo e da gestão de um modelo de atenção integral à saúde dos trabalhadores e suas famílias.

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