Boa Tarde!
Escuto uma notícia oficiosa que vem da Bahia, acerca da preocupação da Secretaria de Saúde daquela unidade federativa quanto à eficácia de sua campanha de planejamento familiar. Isto porque com a proliferação do eleitoreiro programa do Bolsa Família, algumas mais pobres do Estado estão almejando alcançar um número tal de filhos (fala-se em onze), que os propiciem adquirir com a renda recebida do Governo federal um meio de transporte (motocicleta). Ou seja, além de eleitoreiro e gerador de dependência, o Bolsa Família agora inibe as ações de Saúde voltadas ao controle de natalidade, um dos “programas de saúde” do Ministério Federal.
Mas gostaria de deixar as questões diretas relativas à saúde coletiva para refletir sobre as questões sociais que estão na base de mais esta herança nefasta que o governo atual deixa para a sociedade brasileira. Ao identificar a possibilidade de receber quantias certas e mensais sem necessitar de trabalho braçal, o homem pobre abandona a lida, pela qual sempre foi mal remunerado e bastante explorado.
Porém ele não se liberta da exploração, apenas muda de forma. Sempre se confunde a democracia como um fato meramente político, o que é um absurdo. A democracia gera, por ser um fato político, uma renovação e inclusão econômica com melhorias crescentes e progressivas do acesso geral da população. Por isso, pensar em consolidação democrática sem que o trabalhador perceba tal mudança é ilusório e perigoso.
O que dói é verificar que um governo que sempre se debruçou sobre estas questões do trabalho, que possui em seus quadros valorosos e competentes estudiosos acerca da inclusão, tenha optado por artifício tão danoso e desvirtuador da inclusão como o Programa Bolsa Família. Não se recupera o equilíbrio social e nem se faz justiça social distribuindo-se esmolas em troca de votos. Aliás, todos os regimes de exceção que já passaram por estas terras já o fizeram e, nem assim, foram capazes de assegurar a eternidade pretendida por seus ditadores. Por que seria diferente agora?
As reformas democráticas são aquelas que decorrem de medidas de inclusão, capazes de assegurar ao homem o acesso justo e necessário propiciado por seu trabalho, merecido e recebido de maneira íntegra e honesta. Sentindo-se assim, o trabalhador descobrirá o valor e real sentido da cidadania, na plenitude deste termo. Do contrário, criar-se-á tão somente uma relação de dependência, tal qual aquela que resulta do vício, da dependência química. E como toda dependência levará ao esgotamento dos recursos e morte do sistema. É apenas uma questão de tempo.
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