21 de set. de 2009

RUPTURAS OU REFORMAS?

Boa Tarde!

Este ano se comemorou o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim. Alguns estudiosos falaram no fim da história, outros menos exagerados na queda do comunismo, mas os equilibrados perceberam a real mudança trazida: o esvaziamento do paradigma de que as grandes mudanças somente ocorrem na sociedade humana através das grandes rupturas. Esta teoria, que embalou muitos dos sonhos estudantis e românticos do final do século passado, inebriou jovens que acreditaram nos discursos dos partidos de esquerda, esfacelou-se junto com as pedras que sustentavam o muro da vergonha.
As escolas marxistas em redor de todo o mundo sempre condenaram os defensores das reformas sociais. Em especial tachando-os de conservadores, arcaicos ou ultrapassados de direita. Mostraram em belos e retóricos discursos que a sociedade precisava de uma revolução para se tornar mais democrática, evoluída e integradora. Seriam as armas, ou seja, o radicalismo levado à violência que propiciaria um tempo de... paz. A Paz construida sobre a violência soa-nos hoje tão estranho que por vezes devemos pensar até onde fomos solenemente manipulados pelos autodenominados "líderes" da esquerda.
A Revolução colocaria uma casta de quase santos que iriam conduzir a "ditadura do proletariado", instrumento capaz de assegurar a... democracia. Uma democracia é uma opção política que colide frontalmente com a ditadura, seja ela do que for, ou de quem a conduzir. Como se pode imaginar uma democracia liderada por um grupo de ditadores?
A questão central é que todos os defensores de modelos de ruptura, por não disporem de exemplos de sucesso (a história nos mostra apenas sangrentos fracassos), armam-se de um repertório de discursos vazios e que, de tão desconexos, mal permitem qualquer contestação científica. Em geral estes grupelhos andam em bandos e jamais se manifestam sozinhos, pois sua argumentação só sobrevive às custas de imenso barulho que impeça a contestação técnica.
Os defensores da reforma, ao contrário, encaram as sociedades e os processos que nelas existem pela perspectiva da maximização dos acertos (e valores) e superação ou eliminação dos equívocos (ou desvalores). Portanto, é um processo de construção que somente tem sucesso pela integração e participação ampla. Não pode haver apenas este ou aquele líder isolado e centralizador que conduza, com uma verdade pessoal, toda a gama de mudanças necessárias. Desta forma, a mudança se dá num processo de sinergia e focada em resultados. São estes últimos que asseguram a longevidade das reformas e sua consolidação.
Os discursos retóricos e as palavras de ordens são típicos dos defensores da ruptura: não criam compromissos para que os proferem, não agregam valor para quem os recebem e, como todo movimento desta linha, insistem em brigar com o mundo real.
As organizações precisam estar mais alertas para suas lideranças reformistas. E parar de perder tempo com seus líderes revolucionários. Salvo se estes conseguirem fazer bem a única coisa que ainda resta para estas ideologias: vender livros. Neste caso, tratando-se de uma editora, vale a pena aguentá-los ainda mais um pouco.

Nenhum comentário: