12 de jan. de 2010

FALÁCIAS SANITÁRIAS

Boa Tarde!


Às vezes dá para pensarmos que todas as autoridades mundiais pensam de forma uníssona na questão de saúde. Isto não quer dizer que este “padrão” coloque a Saúde como um sistema estratégico, prioritário nas suas decisões, ou mesmo que todos eles levem a sério o trato e zelo para com as necessidades sanitárias das populações sob suas responsabilidades.
Ouso dizer isto a partir da nova e bastante agitada polêmica acerca dos SCANNERS recomendados pelos órgãos de segurança européia a serem implantados nos aeroportos internacionais (logo, logo nesta república), como medida que busca, segundo os especialistas desta área, aumentar o rastreamento dos terroristas que voltaram a ameaçar a vida de quem se utiliza deste importante meio de transporte.
Tudo ia bem até que as autoridades de saúde italianas quiseram ouvir os especialistas, pois estes aparelhos que funcionam com base nas emissões radioativas (tais quais aquelas que nos cobrem nos exames de imagem, nas tomografias e ressonâncias, por exemplo), podem afetar a saúde dos passageiros em especial nas situações de maior risco como a gravidez.
Era o que bastava para se deflagrar toda uma série de debates e exigências dos especialistas para se resguardar a saúde das pessoas que irão se submeter compulsoriamente a este exame nos aeroportos europeus.

Estranho mundo, estranhos tempos.

A mesma radiação que é livremente usada nas mais diversas prescrições de exames por imagens, que tão pouco obedecem aos protocolos defendidos pelos radiologistas sérios e comprometidos que atuam neste campo, e que geram números de exames per capita no setor de saúde suplementar para lá de absurdos, agora é vilã quando se trata de segurança pública!
As autoridades alegam que sem os scanners fica quase impossível se detectar as diversas armas que as novas substâncias químicas fazem fugir das portas detectoras de metais que são usadas na atualidade. Por isso, o perigo de exposição à radiação levantado pelos especialistas restringe a atuação da polícia e, com isso, expõe a todos que usem o transporte aéreo.
Porém, a radiação que é candidamente esquecida quando se solicitam exames de imagem para os pacientes, sejam eles necessários ou absurdamente inexplicáveis, agora é razão de preocupação para técnicos da saúde que, em muitas vezes são os mesmos prescritores.
O que acontece? Por que tanto cuidado com a exposição à radiação dos usuários de um aeroporto, que permanecerão num tempo inferior ao que dura, por exemplo, uma ressonância, expostos à radiação, enquanto se banaliza a realização de exames de imagem sem se levar em conta suas corretas indicações, ouvindo-se os especialistas de verdade?
Fica difícil fazer uma discussão (a segurança nos aeroportos) esquecendo-se solenemente a outra (a segurança nos exames por imagem). Ou será que a idéia é realmente não discutirmos a segunda situação?

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