19 de jan. de 2010

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM...

Boa Noite!


O Brasil tem uma enorme possibilidade de trazer de volta à tona personalidades que pensávamos já estar trilhando outros caminhos, ou buscando o esquecimento geral aos fatos nebulosos nos quais se envolveram. Por isso, supreendi-me com a volta do ex-ministro José Dirceu (PT-SP) no jornal O GLOBO (eletrônico), com um artigo no qual analisa a necessidade de serem reformadas as normas brasileiras que disciplinam a Saúde Suplementar, em especial pela questão (absurda) do ressarcimento ao SUS pelas operadoras, por pretensos usos de seus usuários da rede pública.
O Sr. José Dirceu cita as repetidas colocações da Dra. Lígia Bahia que insiste nesta questão, apresentando-a como se fosse o grande ponto a ser resolvido em nosso país. Ele entra num campo que aparentemente não domina, pois sequer traz dados concretos e números precisos sobre este tão famoso ‘uso da rede do SUS pelas operadoras’. E talvez não os traga porque a ANS insiste em não apresentá-los.
Dizer que “x” milhões são devidos pelas operadoras deveria corresponder a todo um arquivo bem elaborado e concreto de quando, como, por quem e em que lugar foi produzido este atendimento. Não é bem assim que chegam as cobranças, ao menos aquelas a que tive acesso, em operadoras de segmentos tão díspares quanto a autogestão e seguradoras.
É lamentável que a cidadania tenha sido desqualificada pela ANS ao proibir nós, cidadãos brasileiros no pleno exercício de seus direitos, de termos acesso à rede pública do SUS, nos específicos lugares em que ela possui qualidade e resolutividade, apenas porque possuímos um plano de saúde pago com o nosso suado salário! Porém, fica mais difícil entender que num país que caminha para um quase total abandono do seu Modelo de Saúde Coletiva, ao menos na saúde suplementar, pela total ausência de estratégias e políticas públicas da ANS para incentivá-lo, escolha este assunto ridículo (do ressarcimento) como mote principal de qualquer discussão estratégica.
Mas, será que há repercussão quanto a esta discussão? Ou talvez se pretenda com ela envolver as massas eleitorais e deixar-se de lado as importantes questões estratégicas que devem ser efetuadas neste ano de eleições gerais tanto quanto ao SUS, quanto ao setor que efetivamente anda e apresenta tantas possibilidades – a saúde suplementar?
O ex-ministro voltou bem ao seu estilo: batendo, tentando usar a técnica para mandar recados, mas principalmente criando um mote eleitoreiro que talvez em sua visão poderá render auspiciosos lucros nos debates eleitorais futuros. Quando será que nossas lideranças e autoridades perceberão que estamos jogando fora as inúmeras possibilidades que a situação internacional nos presenteou? Inclusive reparando esta grave distorção que me discrimina (e a todos vocês) como cidadão brasileiro?

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