Boa Noite!
Quanto mais escura a noite, quanto maiores as trevas tanto mais parece que estamos encolhendo, diminuindo, sumindo perante nossos medos e temores. Mesmo nos ambientes que conhecemos, junto aos móveis e utensílios que durante a luz nos servem, as trevas fazem parecer ameaçadores como se quisessem nos engolir.
Os sons se amplificam e a insegurança permeia cada passo nosso levando-nos inexoravelmente à paralisia. Ainda que estejamos num caminho pelo qual já tenhamos trilhado por diversas vezes, a escuridão retira de nossa razão a autoconfiança para seguir adiante.
Mas, para reacender nossa esperança basta-nos um mínimo de luz, uma pequena réstia que seja que atravesse a negra face dos nossos medos e instale de volta em nossos corações o suave despertar da fé.
Nestes momentos, de absoluta escuridão até mesmo a pálida luz que emana de um vaga-lume (um pirilampo), serve para nos apontar o caminho. Não que ela seja por si mesma, capaz de superar o negrume que nos envolve, porém, basta sua presença para que nos sintamos de novo capazes de vencer, de encontrarmos pontos de apoio a partir dos quais retomaremos a direção da luz.
Pequenos vaga-lumes se agigantam no papel de fomentadores da esperança daqueles que se encontram nas trevas, da mesma forma que pequenas palavras, gestos ou testemunhos devem nos alimentar, mais do alimento espiritual de onde brotam a fé e a esperança do que de qualquer outro valor material que nem ao menos serve para tornar menos temeroso o escuro e amargo torpor que as trevas podem nos jogar.
A depressão é uma escuridão na qual os vaga-lumes existem, insistem em aparecer, mas sua ajuda necessita da vontade daquele que está cercado da negra noite de dor e solidão, de desânimo e desesperança que parecem nunca acabar.
Para aqueles que amam, resta a dor das palavras feridas que emanam dos que estão aprisionados pela depressão, sem que tenhamos o direito de desistir de nosso papel de condutores da luz. Nem que seja uma tênue luz de vaga-lumes.
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