20 de fev. de 2010

QUIMERAS FARMACÊUTICAS

Bom Dia!


Entrou em vigor hoje, ao menos nas capitais e cidades onde a Justiça não concedeu liminares sustando seus efeitos, a resolução da Vigilância Sanitária que tenta moralizar, num mínimo possível, a oferta de medicamentos nas farmácias deste país.É fato que esta norma não é panacéia para os incontáveis problemas aos quais são expostos consumidores que, induzidos por uma mídia forte e presente, compram e tomam remédios muito além do que suas necessidades demandariam. Mas ela é um ponto base para o começo de um processo (já tardio) de moralização da oferta de fármacos.

Remédios não são docinhos e farmácias não são supermercados. Ao menos, não deveriam tentar sê-los. O consumidor passeia no supermercado e escolhe aleatoriamente os produtos que coloca nas cestas porque existe um pressuposto básico presente neste tipo de comércio: tudo o que está ali é possível de consumo e não causará, salvo excesso, danos a quem o consome. Onde isto é igual a uma farmácia? Mas, se os produtos são distintos e bem diferentes, também os riscos e perigos divergem, sempre contra os consumidores (no caso das farmácias), porque se permite que a apresentação visual de ambos esteja a cada dia mais parecidos? É contra este equívoco que a ANVISA, finalmente, resolveu agir.

Que pena a Justiça ter entrado no campo com sua metralhadora disparadora de liminares. Mas já que resolveu intervir, vamos torcer para que decida com base no bem maior que é a Saúde do Consumidor e não numa pretensa “quebra da liberdade de escolha”, fundamento alegado pelos donos de farmácias e que foi, preliminarmente, acatado por suas excelências. Não pode haver liberdade de escolha quando a vida é o objetivo-fim a ser preservado. Não existe escolha quando somos induzidos por uma forte e massiva propaganda que fala em alto e bom tom os “benefícios” daquela droga que desconhecemos e apenas anuncia, timidamente, no final dos anúncios que o médico deve ser procurado “se persistirem os sintomas”, ou seja, não sendo assim, viva a automedicação!

Isto não é liberdade de escolha, é o fim da preservação sistêmica da saúde de uma população. A medida da ANVISA não é o fim, e sim o começo de uma nova postura. Vamos torcer que não seja o Poder Judiciário a impedir esta importante tomada de posição da agência reguladora. A saúde da população merece.

Nenhum comentário: