Boa Noite!
Dados divulgados no final do mês passado pela CONIC e que estão servindo de subsídio à discussão da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano (ECONOMIA E VIDA), trazem importantes dados para a reflexão dos gestores estratégicos no mercado de saúde suplementar.
A carga tributária sobre as classes mais baixas de assalariados (até 5 salários-mínimos mensais de renda), alcançaram a casa dos 30% e são quase 12% maiores do que àquela que incide sobre os que ganham mais de 30 salários mínimos por mês.
Durante o Governo Lula estes números não apenas se mantiveram como cresceu mais a tributação sobre os que menos ganham. Exatamente é esta a população que mais deseja adquirir planos de saúde, e especificamente a que mais tem se inserido na classe dos consumidores neste setor. Mas, se a tributação está maior, como se pode explicar o aumento de consumo neste segmento?
Antes, um outro dado alarmante: quem ganha até 03 SM mensais, destina 197 dias de trabalho para pagar todos os tributos diretos e indiretos que estão em vigor no Brasil, contra 106 dias dos que ganham MAIS de 30 salários mínimos por mês. É mais um dado que significa menos dinheiro no bolso destes ávidos compradores de planos e coberturas populares na saúde suplementar.
Qual a explicação deste aparente contra-senso? As transferências governamentais. Mais de 50% do aumento da renda per capita final da população de até 05 SM mensais decorrem dos programas sociais que, por sua vez, se alimentam dos tributos recolhidos da classe média.
Estamos assim, numa armadilha: não se recuperou o poder real dos salários de tal forma que o consumo promova a solidariedade e justiça social. Os ganhos decorrem de uma parcela que, em tese, é transitória e não definitiva (bolsas disso, daquilo, etc). E o que é pior: quem está mais folgado ou já tem seu plano de saúde, ou não lhe é fiel.
Portanto, quando vemos a concentração no país e juntamos a essa análise as distorções tributárias que insistimos em manter e que unem as ações concretas dos governos de direita ou de esquerda, cabe-nos ligar um enorme sinal amarelo! Mercado de serviços que é, a saúde suplementar necessita de crescimento real, de aumento do poder aquisitivo dos salários, de melhor distribuição de renda. Sem isso, daqui a pouco também nas operadoras a concentração irá promover uma devastação na concorrência e oferta de produtos.
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