Boa Noite!
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), através dos seus principais dirigentes, divulgou em 04.02.2010 pela Folha de São Paulo, o montante gasto entre 2003/2008 pelo governo federal com acidentes de trabalho e aposentadorias decorrentes de insalubridade: R$ 72,7 bilhões. Isto quer dizer que, a cada dia nestes 5 anos desembolsaram-se 39 milhões de reais para se pagar pela não prevenção nos ambientes de trabalho.
É óbvio que as ações de promoção e prevenção não são mágicas, e nem capazes de retirar água da pedra. Corretamente implantadas elas evitam os agravos que podem ser gerenciados, mas principalmente educam e formam os seus participantes quanto aos cuidados pessoais para com a Saúde.
No ambiente de trabalho, contudo, as ações de promoção impactam diretamente sobre os afastamentos e, também, quanto à produtividade. Tornam os funcionários menos tensos e serve para mostrar-lhes o interesse das empresas para com sua integridade pessoal.
Nada disto é novidade para ninguém. Mas, então porque quase 72 mil pessoas em plena idade laborativa foram aposentadas no mesmo período por invalidez, ou seja, por não mais apresentarem condições de permanecerem no mercado de trabalho?
A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo. Enquanto as empresas falam mais e gastam crescentes quantias em estratégias de marketing que estão centralizadas na valorização das pessoas-clientes que consomem, estão distanciadas das pessoas-trabalhadoras.
Parece que as palavras de per si, sem quaisquer outras ações concretas e perceptíveis pelos empregados, bastam para que estes últimos se sintam motivados e reconhecidos! Ou seja, todos os mimos e cuidados para com os que compram são superficiais, pois não se pode compreender a valorização de um em detrimento do abandono da pessoa-trabalhador.
As políticas e diretrizes de pessoas nas empresas não estão voltadas para o ser humano, não os reconhecem como seres que vivem, não lhes admite possuir necessidades básicas. São epitáfios e não valores, as frases que preenchem os espaços das peças de comunicação, quadros e avisos de circulação interna nas empresas.
O Lucro que é resultado da comercialização de produtos manufaturados por pessoas e produzido também por estas, está produzindo uma estranha raça para os seus detentores: o ser humano que vive, mas que não existe. O empregado vive porque respira, anda, bate o ponto e produz. Porém, ele não é considerado um ser vivente, uma vez que suas necessidades nem são mapeadas e se o forem, jamais estarão na lista de prioridades dos empresários
Desta inversão total das relações laborativas é que surge a principal causa dos números acima veiculados. As mudanças defendidas pelas centrais sindicais, por outro lado, buscam tornar cada vez mais subjetivo o estabelecimento do nexo causal, ação que é mais paternalista do que propriamente defensora da justiça. E nesta confusão toda se continua a não se discutir o principal ponto: afinal, o Lucro e a Economia existem e foram organizadas para servir à humanidade e promover o ser humano, ou para servirem-se deste último?
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