Boa Noite!
Foi lançado hoje em São Paulo, com a forte presença de Ministros de Estado e até um ex-Presidente, um novo livro acerca da questão das drogas. Emocionados com o assassinato cruel e frio do cartunista Glauco, vitimado por um dos seguidores da seita que consome litros e mais litros do alucinógeno conhecido como chá do Santo Daime, os presentes a solenidade, com ensaio ou não, estavam bem afinado com um único discurso: a droga é uma questão de... cultura!
É mais ou menos assim: se dizemos que a droga é uma questão de polícia então a sociedade exige que o aparelho repressor do estado intervenha, pois ela pode ceifar vidas inocentes (como o faz às dúzias nesta desmemoriada nação), favorecer o enriquecimento ilícito dos traficantes (já ouviram falar de algo assim?) e ameaçar a liberdade dos cidadãos (sem comentários). Portanto, se a droga está ligada a estas questões ela deve ser reprimida e os seus favorecedores, presos.
Se associamos a esta questão o aspecto da saúde, então cabe ao Estado tratar os dependentes, para que se libertem do vício e voltem a ser pessoas sãs, como todos tem o direito.
Os brilhantes representantes do Estado, do Governo e da Oposição optam pela saída de Pilatos: lavam as mãos. Ao dizer que a droga é uma questão de cultura, tais "lideranças" assumem que ela pode ou não ser considerada lícita; pode ou não ser objeto de reprimenda pelo Estado; pode ou não ser descriminalizada.
Pode ou não. Sim ou não.
É muito triste, mas a droga é uma questão de... vergonha.
De ter vergonha na cara, aqueles que eleitos para agir em nome do povo preferem deixá-lo ao relento, por si sozinho. De ter coragem de assumir o desastre que tem sido a tolerância velada, os olhos fechados à proliferação da dependência, fazendo com que convivamos, como vítimas e agentes passivos, das fumadas de maconheiros, dos desmandos e agitações, brigas e agressões dos consumidores urbanos do crack, e por aí vai.
Este tipo de discurso feito pelos políticos, aqueles que pedem seu voto para te proteger, denotam o grau de imbecilidade que eles atribuem a nós, pobres eleitores. O dia do troco vem aí.
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