Bom Dia!
No ano passado, o Governo investiu expressiva aprcela de recursos para dotar o Sistema Único de Saúde (SUS) de cerca de 1.700 aparelhos de mamografia, distribuídos em todo o país. Era a ferramenta requerida pelo Ministério da Saúde para desencadear uma ação nacional de prevenção ao Câncer de Mama. Por mais paradoxal que aparentasse, os defensores do Modelo de Saúde com base na prevenção primária silenciaram contra o fato.
E agora surgem os primeiros números desta "prevenção".
Os equipamentos estão ociosos e a produtividade não alcança 50% da capacidade instalada. Os exames realizados em geral não possuem a qualidade esperada, pois a estrutura montada foi totalmente voltada à produção dos exames e não se recordou do processo de acolhimento das mulheres, foco principal da iniciativa.
Mais uma vez, pois, constatamos que o maquinário de per si apenas favorece as inaugurações festivas e as fotos públicas. Mas decididamente não mudam a realidade naciona: o SUS é mal gerido tecnicamente; mal gerido estratégicamente e mal remunerado no segmento onde poderia captar e fidelizar um número expressivo de pacientes: atenção primária.
Gerir cuidados é ampliar a atenção, fazendo com que ela se desgarre do modelo teórico e, em geral, pouco flexível, levando-a ao encontro das necessidades da população assistida, referidas e mapeadas. Este tipo de intervenção não pode se dar ao luxo de se auto-avaliar. Ele deve ser percebido pelos seus usuários como agregador de valores em tal nível que nada (nem ninguém) a ele se sobreponha no momento de lembrar ou de escolher.
Quando fatores adversos, e os agravos estão bem à frente destes, parecem possuir velocidade superior às propostas e ações de saúde, exatamente aí é que a gestão de cuidados deve mostrar sua visão sistêmica: identificando os obstáculos; revendo suas estratégias; contornando as barreiras intransponíveis que, uma vez isoladas, não serão mais capazes de minar as forças da mudança.
O Governo não errou ao adquirir as máquinas. Ele se equivoca em atribuir-lhes algo que apenas o gerenciamento de cuidados bem executado e profissionalmente gerido tem condições de oferecer: resolutividade e satisfação dos usuários.
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