6 de abr. de 2010

ENTRE FATOS E VERDADES

Bom Dia!

Existem fatos que vem sendo repetidas vezes veiculados pela mídia e que dizem respeito à lamentável prática de pedofilia entre ministros ordenados que pertenciam, à época dos crimes cometidos, ao sacerdócio da Igreja Católica. São notícias dadas com a maior generalidade possível, quase sempre utilizando-se de palavras imprecisas e que, para a grande maioria dos ouvintes, forma uma sensação numérica e de gravidade que chega a beirar a irracionalidade.
Não bastasse a violência dos fatos ocorridos e a imensa traição para com os votos que assumiram livremente tais infratores, a covardia de tais crimes contra crianças e adolescentes, e a repulsa de vermos tais fatos serem atribuídos de forma injusta e desmerecida a centenas de milhares de sacerdotes que não apenas os condenam, mas agem com vocação, carinho e retidão no exercício de suas vocações pastorais.
Mas além de tudo o que citei, estas notícias envolvem aspectos mentirosos, cujas finalidades precisam ser identificadas e denunciadas. Vejamos o que diz o Professor Doutor Philip Jenkins, não católico e atuante em Oxford, autor do livro PEDOPHILES AND PRIEST: ANATOMY OF A CONTEMPORARY CRISIS, citado pelo também Doutor Carlos Alberto de Franco (http://www.consultoradifranco.com/), no mais completo estudo publicado:
1. O VATICANO recebeu entre 1950 e 2000, cerca de 3.000 denúncias de ABUSOS SEXUAIS cometidos por sacerdotes, assim entendidos:
1.800 (60%) de casos de HOMOSSEXUALISMO, ou seja práticas homossexuais cometidas pelos sacerdotes com maiores de idade e que foram reconhecidos por estes, embora tivessem sido aceitos e recebidos no sacerdócio com a livre promessa feita de se manterem celibatários. A Igreja adotou a medida de não mais receber tais promessas e não ordenar quem é homossexual manifesto, numa atitude séria e resolutiva que foi bastante criticada pela mesma imprensa que agora acusa o Papa Bento XVI de nada ter feito.
900 (30%) foram casos de RELAÇÕES HETEROSSEXUAIS tidas com mulheres maiores de idade e que geraram pedidos de perdão (com assunção de responsabilidade civil dos que os praticaram), ou pedidos de suspensão dos votos sacerdotais. Note-se que não houve omissão da Igreja e nem fuga da realidade do problema: o celibato é uma vocação, por isso ele é declarado livremente pelo postulante ao sacerdócio. Ser celibatário é dar todo o seu amor ao rebanho a quem serve, indo muito além do núcleo familiar pessoal que o casamento permite criar.
300 (10%) foram casos de PEDOFILIA e tratados com os rigores e punições previstas no Código de Direito Canônico.
Os mesmo pesquisadores apontam que o número de padres envolvidos com ABUSOS SEXUAIS e não exclusivamente com Pedofilia, representam, por exemplo, menos de 0,2% dos casos totais denunciados na sociedade alemã, bola da vez desde a semana passada e não por coincidência o país natal do Santo Padre.
É pouco este número? É grande este número?
A Igreja tem dito, desde o Papa até o nosso Pároco, da imensa dor que a Igreja toda sente com tão aberrante traição cometida pelos infratores contra Cristo em primeiro lugar, pois a Ele juraram fidelidade, obediência e testemunho; às crianças, vítimas silenciosas destes atos tão vis; e aos demais sacerdotes que agora estão no meio de críticas que não merecem, de muitas pessoas que sequer conhecem o imenso e caridoso trabalho social que realizam em suas paróquias.
A dor não seria maior e nem menor se o número de casos fosse 5, 50 ou 5.000. A Igreja sofre como um único e mesmo corpo e por isso ela pediu perdão e já iniciou milhares de processos de reparação material em todo o mundo.
Mas a minha pergunta é como curioso.
Quantas reportagens foram veiculadas com a mesma intensidade e agressividade em relação aos médicos, advogados, e outros profissionais liberais que representam 99,8% DOS CASOS DE PEDOFILIA NA EUROPA?
Quantos Governantes foram intimidados, atacados, denegridos, pichados e injustiçados por conta de funcionários públicos que praticaram atos de pedofilia?
Quantos Empresários sofreram retaliação, tiveram suas imagens pichadas em vias públicas, por terem funcionários de suas empresas praticados atos de pedofilia?
Por acaso políticos e empresários não são líderes? Por que então são isentos e tratados com justiça?
Não defendo a omissão e nem a exclusão de responsabilidade. Mas a tese da responsabilidade coletiva foi a base jurídica do Estado Nazista e serviu de embasamento jurídico às Leis de Nuremberg. Este foi o sentido, talvez que o porta voz do Vaticano tentou mostrar em suas palavras.
Não é possível que homens de bem, inteligentes e sensíveis, fiquem impassíveis e se deixem manipular de forma tão acintosa pela mídia, num ataque injusto e que só tem uma única causa: Bento XVI não perde a calma e não retrocede em sua luta contra as injustiças, exclusões e dissimulações que cercam os órgãos da imprensa mundial.
Fatos só servem ao nosso crescimento se são explicados a partir de verdades. Mas fatos podem (e são) manipulados, especialmente escondendo-se as referências que demonstram sua manipulação.

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