6 de mai. de 2010

O EFEITO CHRONOS

Boa Noite!

Mais de TRINTA aparelhos de Ressonância Magnética, e mais de uma CENTENA de aparelhos de Ultrassom, além de Tomógrafos, Mamógrafos, etc, etc. Este é o saldo da feira de tecnologia em saúde ocorrida na semana passada em nosso país. O detalhe é que estes números parciais e mínimos que coloco aqui não retratam o desempenho de todo o evento, e sim a realidade (bastante comemorada) de UMA das grandes empresas que os produzem em todo o mundo.
Quando comparamos o volume de compras com a distribuição de equipamentos no Brasil fica a pergunta: para que tantos equipamentos?
Quando comparamos as estatísticas de crescimento dos números de exames per capita/ano, em função das melhorias dos indicadores de saúde e não conseguimos estabelecer uma relação causa-efeito fica a dúvida: o sistema aguenta?
A época é de autofagia. Prestadores abalados financeiramente, concentração daqueles que conseguiram estabelecer patrocínio financeiro (ainda que em alguns casos bastante arriscados) para comprarem as massas falidas ou pré-falidas, operadoras em quebra geral (presente ou semi-futura) e a ANS que apenas após a saída do Presidente consegue enxergar que não está trabalhando e nem regulando a única saída vislumbrável: a mudança da lógica de intervenção ora dominante.
O mercado de saúde atual parece o mitológico deus grego Chronos: por medo ele comia a cada um dos seus inúmeros filhos. Estamos consumindo as empresas desequilibradas e, para tanto, geramos mais desequilibrio como fonte de receitas. Eis a razão de tantas vendas de equipamentos.
Cortamos os dedos e jogamos fora os anéis. E depois fazemos projetos de futuro, comemoramos resultados momentâneos e ocasionais e, pior de tudo, não estamos preparando sequer gestores com competência para enfrentarmos os duros e difíceis dias que se avizinham.
As empresas que vendem comemoram o balanço deste ano. Mas, ao mesmo tempo, vão procurando diversificar o seu portfólio de clientes, disseminando suas tecnologias para outros campos. Afinal, elas não se preocupam muito com a saúde de ninguém, exceto, claro, dos seus balancetes mensais e do balanço anual. Estes, certamente, ficarão mais saudáveis com tamanha enxurrada de equipamentos despejados no maercado brasileiro. Que pena não contarem como indicadores de saúde! Talvez fossem os únicos a melhorarem com tal situação...

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