Bom Dia!
A Ciência persegue a dor há muitos séculos. Ela simplesmente não aceita que vencidos tantos desafios, moléstias, epidemias, doenças que pareciam inatacáveis, ainda seja derrotada quanto à dor.
Existe a dor cansada: aquela que parece começar em lugar algum e se arrastar, lentamente, até um ponto de nosso corpo que, certo ou errado, decidimos ser o lugar onde mais dói. A dor cansada é desgastante, não nos permite acomodar em lugar nenhum, ataca todas as fibras da nossa musculatura.
Mas existe ainda a dor doída: é de outro tipo, mais aguda, mais fina, que nos dá uma sensação de estarmos sendo furados por uma fina, invisível e interminável agulha. Esta é a dor que acompanha as quebraduras, chata, deixando-nos cansados e irritadiços todo o tempo. A dor doída tem o poder de acabar com a paciência de qualquer ser humano paciente, deixando os impacientes, por sua vez, incontroláveis.
Porém, nenhuma delas, ou de outras definições que ainda não conheço, dói mais do que a dor da saudade. A saudade é tão grande, ainda que não possua tamanho, e tão intensa, ainda que sem volume, que já disse um artista que ela é uma palavra que somente existe no idioma português.
A saudade dói, ocupa todo o nosso ser, incomoda todos os nossos órgãos, invade a nossa alma e desaloja nossa serenidade. A saudade faz com que os espaços que habitamos diminuam, sufocando nossa vida e impedindo-nos de continuarmos neles. Ela também não admite ocupar espaço nem mesmo com o ar que respiramos: sentir saudades faz com que fiquemos sem ter como respirarmos, o oxigênio parece contaminado, a respiração entrecortada.
A saudade deve ser também alérgica: faz brotar instantaneamente de nossos olhos lágrimas que, por mais que rezemos, insistem em não querer mais parar. A saudade é a dor que nós não conseguimos evitar, não sabemos definir e nem poderemos parar salvo se, infinita sabedoria, trouxermos para junto de nosso coração aqueles de quem sentimos saudades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário