10 de jul. de 2010

ÍDOLOS NÃO SÃO LÍDERES

Bom Dia!

Todo o país acompanha estarrecido o desenrolar das investigações acerca do assassinato praticado pelo goleiro Bruno do Clube Regatas Flamengo. Para uns, a Elisa foi vítima da impunidade que assola este país há décadas; para outros, ela representa o completo descasamento entre o fato de ser tratado como ídolo da consciência que tais pessoas deveriam ter de sua responsabilidade social para com a imensa legião de admiradores e fãs.
Para mim, indo além da frieza demonstrada por este jovem de 25 anos, que na própria delegacia se mostrou mais preocupado com sua participação na Copa de 2014 do que com as acusações de ser mandante da morte de um ser humano, fica a clara comprovação de que ídolos não são necessariamente líderes.
O ídolo é fruto de uma conjuração de fatos superficiais, tais como: a importância que a mídia, especialmente a televisiva destaca para o fato; a capacidade de manter um certo padrão de atuação pelo tempo que sirva para os financiadores do lugar onde atua; interesses políticos; etc. Ídolos são produtos literalmente instantâneos, onde basta adicionar-se a substância indicada e se tem, por um intervalo temporal, algo que se admira. Assim, o ídolo precisa financiar sua permanência no noticiário, 'criando' fatos que permitam seu nome não ser esquecido.
O líder resulta da forja diária que produz o trabalho digno, a atuação ética e a perseverança na defesa dos princípios e valores nos quais acredita. Líderes demandam tempo para chegarem ao amadurecimento pessoal e profissional. A liderança é percebida por todos aqueles que não estejam contaminados de preconceitos, normalmente reconhecida até por adversários e concorrentes, pois desperta a admiração mais profunda que existe na sociedade: aquela que é gratuita, não requer uma contrapartida. Um líder sempre será lembrado pelo que disse, ou aquilo que construiu, ou a coragem demonstrada no enfrentamento dos inimigos da liberdade, ou pelo amor gratuito que deu à humanidade.
A liderança alcança o coração das pessoas. Os ídolos dizem respeito às emoções: superficiais, transitórias e nem sempre reais.
Quando imitamos os líderes que sempre surgem em nossa vida, uns por tempo considerável para que os identifiquemos e deles apreendamos muitas lições e sabedoria, outros de forma fulgaz, mas intensa o suficiente para deixar em nossos corações suas marcas indeléveis, sempre estaremos caminhando e nos tornando pessoas e profissionais melhores.
Quando imitamos os ídolos corremos o quase que certo risco de nos tornarmos rídiculos como eles são, quando acaba o glamour, ou vazios como eles se apresentam, quando o momento requer um conteúdo de que não são e nunca serão formados.
Ao sorrir para o delegado que o interrogava, sem saber que estava sendo filmado, o Bruno não demonstrou apenas frieza. Ele alcançou a máxima expressão da idolatria: vazio de conteúdo, cego de princípios, inútil como exemplo.

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