Bom Dia!
Estamos na reta final da campanha presidencial e para governadores, seja ela encerrada já no primeiro turno ou não. E confesso-me decepcionado. Não me refiro aos escândalos que não cessam de acontecer em nosso país e que certamente não melhoram nossa imagem lá fora, tampouco às intermináveis sessões de acusações e falta de respeito recíprocos, pois já aceitei que isto faz parte da cultura política eleitoral brasileira: eles passam quatro anos numa convivência formal e despejam em quatro meses seus piores vícios e defeitos. Mas não se trata disto.
É da falta de debates sobre plataformas de governo que nasce minha frustração. Uma candidata pede, em muitas vezes de forma explícita que seja avaliado o Governo do Presidente Lula, como se os fantásticos percentuais de aprovação já não fossem bastantes para tal.
Outra candidata pede que se avalie sua história pessoal, bela e corajosa, além de sua trajetória em defesa da natureza. Mas isto não é forma? Cadê o conteúdo de sua campanha?
Outro candidato pede que seja avaliada sua atuação como governador e novamente transformamos eleições em plebiscitos.
Não há o contraditório de idéias sobre economia, reformas estruturais, direitos fundamentais, compromissos políticos. Aliás, que compromissos eles estão assumindo? O que poderá a sociedade cobrar do candidato(a) eleito(a) se toda a massa principal da campanha versa sobre o passado e não o futuro pensado e compromissado por eles?
É duro conviver com tantas denúncias. Mas superando-as, o que efetivamente os candidatos estão se comprometendo em fazer?
Após o resultado final do pleito não restarão formas de cobrança normais e racionais, pois não existirão programas de governo que foram onjeto de debates e críticas recíprocas. Os candidatos estão levando os programas de seus partidos políticos e esta imensa massa confusa e por vezes pouco delineada será a vertente principal de suas atuações após suas posses. Será o bastante?
Pior do que ver o povo brasileiro fazer piada com posturas e ações amorais e aéticas é vê-lo relativizar a vigilância que qualquer nação livre deve exercer sobre os princípios básicos da democracia: liberdade de escolha e consciência do voto. Tomara que um dia não venhamos a nos arrepender de não termos sido mais exigentes.
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