Bom Dia!
A Consultoria CROWE HORWARTH RCS divulgou em 05.10.2010 o estudo efetuado por ela nas demonstrações contábeis dos oito maiores hospitais brasileiros em faturamento. Seu foco foi identificar eventuais mudanças no desempenho que pudessem ser atribuídas à profissionalização da gestão destes prestadores de serviços, processo em curso nestes últimos cinco anos.
Segundo as conclusões apresentadas, o crescimento das Receitas destes hospitais entre 2008 e 2009 foi de (expressivos) 24,5%, alcançando a soma de todos eles a cifra de R$ 3,3 bilhões. O fato é saudado pela consultoria e também deve causar esperança em todos aqueles que percebem a necessidade de uma rápida profissionalização no setor, sob pena de sofrer um processo de entropia em curto prazo de tempo.
Não resta dúvida de que a concentração que atravessamos, agora já sendo um fato concreto em TODOS os segmentos que atuam na Saúde Suplementar, requer um aumento do nível de CAPACITAÇÃO, assim como a PROFISSIONALIZAÇÃO das empresas, como medidas imprescindíveis à sobrevivência das mesmas. Também não é possível encontrar vozes discordantes disto, bem como seria injusto não reconhecer o fato de que, ao menos os principais empresários hospitalares estão se movendo nestas direções.
Porém, gosto muito de analisar a concretude das mudanças a partir de todos os números envolvidos. E aí trago-lhes dois que me deixam bastante preocupado:
1º. O LUCRO LÍQUIDO destes mesmos oito hospitais, no mesmo período (2008-2009) sofreram uma REDUÇÃO de R$ 212 milhões, ou seja, em termos percentuais, algo próximo dos 15%.
2º. A procura pelas CAPACITAÇÕES mais especializadas, oferecidas pelas instituições sérias e que buscam mesclar o conhecimento acadêmico com a experiência de gestores que atuam no setor, caíram expressivamente em 2010, no pós-crise americana.
Ou seja, podemos levantar hipóteses tais como:
a. Os empresários hospitalares profissionalizam seus quadros, mas não mudam suas práticas. Estas práticas sufocam seus principais clientes que são as operadoras de saúde e estas retrucam com controles e dificultadores de pagamento. E o cliente comum, como ficará nesta briga silenciosa, educada e altamente destrutiva?
b. As empresas hospitalares fundamentaram seus resultados em produtos de terceiros, por exemplo as órteses e próteses, sobre as quais não detém governabilidade e cuja atuação dos seus fornecedores é hoje objeto de preocupação para todos os segmentos sérios do setor suplementar. Com isso, profissionalizam, mas atam as mãos dos seus competentes gestores no que diz respeito à rentabilidade das suas corporações.
c. Profissionalizar, em nosso país, não é um conceito associado ao capacitar. Ou seja, espera-se que o profissional já venha pronto e acabado, algo quase como um super-computador humano! Isto vai de encontro a um dos pilares da profissionalização que necessariamente tem que ser a capacitação contínua de TODA a equipe, adequada aos seus níveis de intervenção nos processos.
d. As empresas estão evitando as capacitações por conta dos salários e bônus assumidos com os profissionais de primeira linha. Espero que esta hipótese seja apenas uma necessidade própria de provocar a discussão, pois se for real...
Perceberam como a (boa) notícia ainda está incompleta, ou mesmo pode ensejar que os problemas crônicos do setor hospitalar podem agora estar entrando na esfera dos “sem possibilidade terapêutica”?
A Maior receita é a melhor notícia para a tão necessária profissionalização da Saúde Suplementar?
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