Bom Dia!
Todos os políticos, candidatos já eleitos, derrotados e aqueles que irão para o segundo turno, abriram suas baterias esta semana acerca da questão do aborto. Por outro lado, as lideranças nacionais bradam em alto e bom som que não é possível reduzir-se uma campanha presidencial a um determinado ponto. E tudo isso acontece junto com mudanças de afirmações feitas, gravadas e televisionadas, ou posições vacilantes que agora se tornaram definitivas. O jogo eleitoral é óbvio. Mas, os ataques são corretos?
Vejamos:
1. O aborto é um tema estratégico, de interesse nacional e DEVE SIM ser objeto de explícitas, claras e definitivas posições de ambos os candidatos e das nossas lideranças. Não se pode tratar de um tema que diz respeito ao extermínio de fetos, por decisão unilateral, como se ele fosse "questão de saúde pública", "direito da mulher", "uso do próprio corpo" ou outras leviandades que vem sendo usadas na tentativa de diminuir seu impacto sobre a população.
2. A campanha presidencial NÃO PODE SER REDUZIDA a este tema, pois ao seu lado caminham outros tantos que dizem respeito à vida do cidadão, sua segurança, e fundamentalmente a educação básica que, se bem feita, facilitaria amplamente as discussões e evitaria a manipulação dos eleitores. Se não é correto o reducionismo ao aborto, também não é certo o referendismo, onde os feitos passados de quem apoia os candidatos são mais importantes do que os projetos para o futuro deste imenso país.
3. É lícito e justo que qualquer pessoa, inclusive um político, arrependa-se de uma posição, reveja-a e mude para melhor. Isto é crescimento pessoal e profissional. Porém, mudar porque o eleitorado está em desacordo com sua posição não é correto e beira ao oportunismo que, pela competência e história de ambos os candidatos, não deveria acontecer.
Fico muito preocupado quando vejo líderes perdendo o equilíbrio porque este ou aquele candidato, que disputam o voto popular, poderá perder. Fico decepcionado quando vejo o Brasil enviando mensagens em tons intimidatórios para um Estado soberano como o Vaticano, pelos fato de seus bispos, cidadãos brasileiros, estarem exigindo uma posição clara dos candidatos. Fico receoso de que, no final do dia 31 de outubro, ao invés da vitória justa, limpa e soberana de um dos dois candidatos, tenhamos que assistir à derrota da democracia brasileira.
Após 74 anos, um presidente eleito irá entregar a faixa presidencial a outro presidente eleito. Será que nós nos esquecemos disto?
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