Bom Dia!
Algumas pessoas nascem com o dom de servir aos outros. Não me refiro ao processo de acomodoção que parece estar contaminando toda a nossa sociedade contemporânea, através do qual diversos talentos potenciais se deixam subjugar pela mediocridade que remunera bem, ou pela mediocridade que governa, aceitando funções serviçais para as quais não possui motivação e nem sabedoria.
Falo daqueles que se sentem bem, realizam-se, pela satisfação que são capazes de proporcionar a outros. E na grande maioria das vezes estas pessoas fazem parte das atividades ditas "invisíveis", não por serem educadas e não interferirem nos processos que se desenrolam a sua volta, mas por não serem percebidas por todos nós. Até que não mais estejam.
Ontem, uma dessas pessoas que nascem com este talento, este diferencial que as tornam muito mais gente, muito mais importante do que muitos que arrotam conhecimento, prepotência e belas palavras, mas nem parecem humanos na maioria das vezes, veio despedir-se de mim. Conseguiu transferência para um lugar mais próximo de sua casa. E ali, por sua vez, estará terminando até dezembro um curso de cabelereira, tornando-se uma pequena empresária da beleza no ano que vem.
Ela estava muito emocionada e confesso que nos deixou assim também.
Disse que ficava triste de não mais trabalhar conosco, mas que estava atrás do seu sonho. Com lágrimas nos olhos agradeceu-nos por nunca termos "gritado"com ela, nem a "tratado mal", como decerto já teve de suportar em outros lugares.
Como é possível isto? Como alguém que sempre demonstra carinho em cada coisa que faz, que nos traz água, café e muitas vezes uma palavra de conforto quando nos percebe triste ou desanimado, pode nos agradecer por termos tratado-a como um ser humano deve, merece e por obrigação tem que ser tratado? Em que ponto de involução chegamos?
Uma sociedade que cuida das máquinas, dos números, dos grandes eventos, mas esquece dos seus 'pequeninos', pretende chegar aonde?
Uma pessoa educada, simples, correta e que tem no serviço o grande prazer de sua vida merece nosso respeito e admiração, não apenas o DIREITO de ser respeitada e reconhecida. Mas não respeitamos mais quase nada, não é mesmo?
A vida tornou-se um direito individual para uma sociedade que defende o aborto.
A família tornou-se um mero contrato e não mais a garantia de continuidade da raça humana e da sociedade para os que defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
As pessoas tornaram-se aquilo que elas possuem e não o que elas são para todos aqueles que oprimem, desrespeitam e maltratam os seus semelhantes.
Somos uma sociedade onde a maioria de nós tornou-se pessoas tristes.
Mas devemos ter cuidado para não nos tornarmos vazios.
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