Bom Dia!
O cliente se aproxima do guichê de atendimento. O separador de fila está aberto para ele. Não há indicação visível de fila única. Nem de caixa preferencial. Ele respira, reza, fecha os olhos e entrega sua alma a Deus! Não sabe se sairá vivo desta tentativa de atendimento! Não sabe se terá seu direito de cliente respeitado! Não sabe de nada...
Ficção? Novela? Delírio? Não. Brasil.
Nosso país não gosta do cliente. Em verdade, para ser justo, ele nunca gastou muito tempo pensando nele. A figura do cliente, quando lembrada, confunde-se com a do eleitor: muita conversa fiada, muita pirotecnia, principalmente para não mudar nada no que fazemos, ou para não atendê-lo como ele merece.
Se eleitor é aquele bicho que somente é lembrado em cada ano eleitoral, para já ser esquecido ANTES da diplomação dos vitoriosos, CLIENTE é aquele somente lembrado quando os números não estão bem, por serem vermelhos, ou por serem minúsculos, e precisamos de alguns otários que esqueçam as mágoa antigas e comprem nossos novos produtos.
O Brasil não tem cultura do cliente. Não se prepara para ele. Não pensa em ajudá-lo.
Cliente não possui rosto, nem face, nem corpo humano. Cliente é um ser desumanizado. Ele pode ser um rótulo (PRIME, ESPECIAL, TOP, ONE, etc), pois se assim o pensamos fica mais fácil esquecermos suas individualidades.
Mas em geral ele é um número. E aí será sempre moleza detonar com o respeito pessoal e a sua necessidade individual.
Por isso cliente não pode ter nome. Por isso, empresas que tentam desenvolver estratégias usando nomes recebem tantas críticas (muitas vezes internas). Se o cliente ousar ter nome ele passa a ser alguém. E este alguém terá direitos e exigirá respeito. No Brasil, cliente é quem paga, não é quem merece respeito.
Será que existe por aí um Movimento dos Sem-Respeito? Porque, se existir, e logo com o nome de movimento, certamente os clientes poderão fazer barulho, serem recebidos por presidentes e, quem sabe, um dia, serem merecedores de respeito.
Que bom que as empresas não precisam de clientes. Definitivamente, eles são muito abusados.
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