11 de jan. de 2011

O CANAL QUE NÃO LEVA À SAÚDE

Boa Tarde!


É muito comum escutarmos elogios e referências às operadoras de saúde que atuam no segmento de odontologia. Seja porque elas abriram seu capital em bolsa, a partir dos fantásticos números de seu balanço, seja porque o crescimento de suas carteiras é algo, no mínimo, impressionante. Tudo a comemorar? Nem tanto.

De fato, o vertiginoso aumento dos planos vendidos demonstra a boa visão de mercado que tiveram os empresários, identificando demandas reprimidas e excelentes oportunidades de obterem rentabilidade financeira. Mas a pergunta certa é: o que desejam comprar os clientes de planos odontológicos?

Antes de abordar esta questão, um dado alarmante: no mesmo intervalo temporal de crescimento das carteiras de planos odontológicos, os principais serviços da cidade de SP que os atendem, registram um aumento de mais de 100% no número de pacientes que necessitam do tratamento que chamam “CANAL”. Qual a causa disto?

A forma de contratação dos serviços odontológicos prioriza exclusivamente os eventos que causem baixa sinistralidade. E para isso, as operadoras praticam preços mínimos, quase beirando o inviável financeiramente falando, se os prestadores não conseguirem volume. Por sua vez, o volume faz com que as intervenções sejam feitas quase numa linha de produção, desprezando-se cuidados preventivos e transformando uma restauração numa verdadeira operação ‘tapa-buraco’.

Isso tudo aliado à mudança de hábitos alimentares, poluição, tabagismo e outras formas de agressão aos dentes, estão tornando estes pacientes verdadeiras bombas-ambulantes com efeito retardado. As operadoras estão forçando uma intervenção que não resolve, do ponto de vista de saúde bucal, acreditando ser possível manter-se baixa sinistralidade futura.

Acontece que clientes não compram resultados positivos de balanço. Clientes compram assistência resolutiva e satisfação em sua vida pessoal, quando desembolsam valores para obter produtos de saúde. Por isso, minha avaliação é de que esta insatisfação vai explodir para as operadoras odontológicas no máximo em uma década.

E os dentistas? Bem, estes acreditam que no momento em que ocorre esta ‘explosão de insatisfação’, os clientes irão procurá-los, abrirão suas carteiras e lhes pagarão diretamente. É possível que isto ocorra? Sim. É provável? Não. Os altos custos dos materiais que usam, aliados aos aumentos e impactos financeiros que a inclusão de novas tecnologias provoca na saúde bucal, fazem com que seu otimismo seja, no mínimo, exagerado.

Ruim não é esperar para ver quem tem razão. Ruim é verificar que a saúde bucal, tão importante para a atenção integral em saúde, apesar de toda fanfarra atual, continua relegada a um plano secundário. Fazer canais, sejam eles pagos por clientes privados, sejam eles (mal) remunerados pelas operadoras que inserem e peridontia entre suas coberturas, não quer dizer dar ao indivíduo a saúde que ele deseja, que ele merece.

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