6 de mai. de 2011

ESPERAR PELO INALCANÇÁVEL

Bom Dia!

As enchentes atingem novamente o Nordeste, especialmente o Estado de Pernambuco. De novo as imagens que veremos por dias a fio são pessoas desoladas, abandonadas ao relento, ou estáticas olhando para o vazio, ou para as águas que arrastam suas pequenas posses. Elas não sofrem apenas por terem perdido seus lares. Suas maiores lágrimas são aquelas que se origunam na perda da esperança.
No ano passado houve vôos de governantes. Discursos e lágrimas inflamadas de emoção. Promessas de ações concretas contra a cheia e muita, muita promessa de liberação de verbas.
As ações não vieram. As águas, sim.
E elas varrem a falta de cumprimento das promessas por nossos políticos. É uma praxe nacional, virou pitoresco, virou jargão.
As dores do povo mais pobre não sensibilizam o povo brasileiro simplesmente porque eles moram longe de nós. Estamos ficando endurecidos, por um mundo que é relativista até no sofrimento. Eu sofro pelo vizinho (se o conheço e gosto dele, claro), mas apenas passo os olhos pela tragédia daqueles que moram fora do meu 'círculo social' ou do meu 'condomínio'.
Estamos reduzindo as pessoas à proximidade que temos de suas tragédias. E isso é muito ruim.
Nenhuma sociedade sobreviveu quando foi fundada sobre o egoísmo ou a violência. Se estamos nos tornando egoístas hipócritas, por falarmos palavras de solidariedade, enquanto reduzimo-la ao depósito de R$ 10 em favor dos desabrigados, o que esperamos de nossa própria sociedade?
Dos políticos, voltados aos seus interesses eleitorais pessoais, talvez seja melhor esperar apenas que defendam a democracia brasileira. Mais do que isto, é esperar pelo que não vem,.

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