4 de mai. de 2011

O SUS QUE NÃO QUEREMOS

Boa Tarde!

Agora a tragédia da gestão do nosso Sistema Público de Saúde é filmada e transmitida via satélite para todo o mundo. Revoltados com a 'alta' de seu marido e irmão de um hospital do SUS na zona norte do Rio de Janeiro, os parentes gravaram a remoção por 'alta' para sua casa. Sem condições de aparelharem-na com os recursos necessários, indagam aos enfermeiros que estão na ambulância (pasmem, não há médico), a causa da remoção: "É por que ele é um doente terminal?".
Os técnicos, que nada tem a ver com os desmandos da gestão, afirmam que sofrem com o fato, mas receberam ordem de desocupar o leito. Ou seja, retornamos aos tempos de guerra, no qual os feridos que são considerados irrecuperáveis eram colocados em macas ao relento, deixando os leitos cobertos e mais protegidos para os que ainda poderiam retornar à luta.
Mas não estamos numa luta, nem tampouco numa guerra oficialmente assumida.
Estamos num sistema público que tem sua concepção na Atenção Integral. Como justificar um fato deste?
Procurei hoje de manhã pelo anúncio de uma paralisação dos médicos contra a lamentável gestão do SUS. Nada encontrei.
Procurei um a convocação para uma manifestação contra os valores pagos pelo SUS (a consulta após o reajuste é de R$ 16,00), pelas ruas das capitais brasileiras. Nada encontrei.
Procurei um manifesto da ANS em repúdio às práticas amadoras de gestão que desqualificam um sistema de estruturação tão avançada como o SUS. Também nada encontrei. Mas não me causa mais surpresa.
Continuamos a fazer discursos para a mídia. Movimentos para a mídia. Ataques de um setor ao outro apenas para ocupar tempo na mídia.
As verdadeiras ações estruturais não são objeto de preocupação. Na mídia, elas não dão IBOPE.
Tudo continua como dantes. Exceto pelo fato de que, agora com os celulares gravando, poderemos testemunhar mais mortes causadas pela péssima gestão do SUS. E tudo transmitido pelos jornais, já desde a primeira hora da manhã. A reportagem acima foi veiculada pelo SBT manhã, do competente jornalista Hermano Henning, e que vai ao ar às seis horas da manhã. Bela forma de se começar o dia...

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