Bom Dia!
No último dia 18 de maio passou em solene silêncio a data em que comemoramos no Brasil a luta anti-manicomial. Há 22 anos, em Bauru (SP), parentes e amigos, em conjunto com profissionais sérios e visionários foram às ruas para protestar contra a forma desumana e cronificadora como eram tratados os internos nos manicômios judiciários e hospitais psiquiátricos.
Pacientes que não precisavam estar internados, outros que nem sequer possuíam patologia que justificasse a internação e outros produzidos pelas péssimas condições sanitárias e humanas destes verdadeiros depósitos de seres humanos, representavam a face mais cruel e visível do descaso com que eram tratados os pacientes mentais.
A Luta não foi fácil, mas foi amplamente vitoriosa. Locais terríveis foram denunciados e fechados. Pacientes puderam ser reintegrados e alguns poucos ainda tiveram tempo de serem reinseridos em atividades laborativas, além daquelas lúdicas que auxiliam a terapia extra-muros manicomiais.
Porém, na minha eterna ansiedade pergunto-me: o que estamos fazendo para aperfeiçoar o tratamento em hospital-dia? Ou será que criamos uma nova forma de exclusão: a cronificação nas oficinas de atividades lúdicas?
Tenho visto e lido pouquíssimas matérias sobre este novo desafio. Não serve a desculpa da doença mental. Afinal, ela também foi usada para justificar aqueles verdadeiros centros de tortura. E provou-se que era uma visão acomodatória e distorcida. É preciso retomar esta questão, novamente esquecida da ANS, das operadoras, do SUS, enfim de todos.
Será que por não ser 'rentável' o doente mental será novamente alijado das melhorias tecnológicas trazidas pelo avanço do conhecimento sobre nosso cérebro e as relações ocorridas nele?
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