Boa Tarde!
Todo o mundo comenta o assassinato do Bin Laden numa incursão ilegal feita pelos Estados Unidos num país independente chamado Paquistão. Mas esta é uma questão política e deixo-a para os especialistas. Atenho-me a um aspecto que ainda não vi ser abordado: por que ele foi descoberto?
O terrorista Osama se colocou como a encarnação de toda a humanidade que despreza os Estados Unidos e, por isso, assumiu de forma radical e assassina a liderança do maior grupo terrorista que já se conheceu na história do mundo. Ele foi o autor intelectual e líder dos atentados de 11 de setembro de 2001 e de centenas de outros que dizimaram vidas inocentes em todas as partes do planeta.
Exatamente por isto, sabendo que seria um homem caçado ele adotou um rígido esquema de segurança, lá no início do seu período de clandestinidade que o permitiu escapar de diversas armadilhas montadas pelos americanos.
Mas o Bin Laden buscava poder. Ele não lutava por liberdade e nem igualdade. Ele se servia deste discurso para granjear para si e seus sequazes um naco de poder, ainda que na escuridão, nas sombras da violência armada. E como todo homem poderoso, no momento em que se começou a sentir inalcançável, relaxou a vigilância.
Foi residir a menos de 100 Km de uma capital, num bairro em que sua casa era distoante das demais. Os muros mais grossos e altos, a ausência de antenas de televisão e internet, a falta de janelas numa região árida e quente, as portas sempre fechadas, o loixo total e cuidadosamente incinerado, tudo enfim denotava algo de diferente naquela casa. Até que alguém dos seus cometeu um descuido. Foi o bastante para que o grupo executor agisse.
E não é assim que acontece com TODOS os poderosos?
Oprimem, massacram, tiram vidas, torturam, acreditando que estão livres da mão justiceira da história. Até que cometem um deslize, um mínimo descuido. E aí as suas quedas são verdadeiras óperas bufas. Seriam risíveis se não fossem tão trágicas.
Osama está no fundo do mar? Não sei. Não importa.
Ele se junta a toda uma gama de homens poderosos que caíram exatamente quando se achavam acima do bem e do mal. A boa notícia não é a sua queda, mas a de que outros poderosos que hoje também se acham intocáveis, um dia cairão.
E os homens justos, massacrados e lambendo suas feridas, continuarão suas vidas. O tempo é o senhor da razão.
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