Boa Tarde!
Não é fácil convivermos com as injustiças. Especialmente quando a cada dia parece que se torna regra sua prática, enquanto o reconhecimento, a gratidão, à feitura do que é justo se tem dado uma conotação de excepcionalidade.
Com certeza é muito mais difícil ser a vítima, o alvo de tais injustiças. Pode-se erroneamente atribuir a uma tendência humana respondê-las com o ódio. Como se fosse através dele que os injustiçados alcançassem sua ‘paz interior’, reencontrassem o ‘sentido de suas vidas’, de novo retomassem a ‘esperança de viver’. Mas não é assim.
O ódio é o único dos sentimentos humanos que destrói aquele que odeia, não a pessoa odiada. Odiar torna-se sinônimo de paralisação, de contenção da capacidade criativa de cada ser humano em dar a volta por cima, especialmente nos momentos mais difíceis de sua existência. Odiar é deixar que a nossa covardia mais latente alce à superfície do nosso ser e, uma vez ali instalada, passe a servir de desculpa para todas as nossas fugas, todos os nossos medos de nos depararmos e enfrentarmos a realidade tal qual ela é.
Certamente o mundo não é como nossos ideais de crianças um dia o projetaram. Mas ele é, certamente, muito melhor do que nós o julgamos quando nos vemos como vítimas de uma série de injustiças e não conseguimos enxergar uma forma de nos ‘vingarmos’. Até parece que os autores das injustiças nunca vão se deparar com suas consciências, com seus remorsos. E quando os encontrarem, desgraçadamente, deles jamais se libertarão. O remorso é como um furúnculo que nunca sara, doendo todo o tempo, machucando em todas as posições e fazendo com que estas pessoas jamais alcancem a paz completa por conta das injustiças que cometeram.
Odiar é tornar-se igual ao que pratica a injustiça, apenas situando-se em campos distintos me com efeitos diversos: o injusto precisa combater sua consciência, pois a razão pesa-lhe e sempre adverte-lhe do mal que está plantando e semeando; aquele que odeia precisa combater sua razão que lhe berra constantemente acerca de sua vida e da continuidade que ela precisa ter, apesar de.
Na hora das injustiças, as vítimas sempre poderão contar com seus amigos, com a imensa força e poder da oração, e principalmente da presença sempre constante do nosso Deus, soprando-nos ventos que nossa insensibilidade só nos permite sentir como brisas.
Já os iníquos, que em geral somente sentem remorsos quando perdem seus quinhões de poder nesta vida, restar-lhes-á um imenso e solitário vazio difícil de ser preenchido até porque, na imensa maioria das vezes, estarão mais solitários do que sempre foram.
“Glücklich ist, wer vergisst, was nicht mehr zu ändern ist.”
(Feliz é aquele que esquece o que não pode mais ser mudado)
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