16 de ago. de 2011

AS LÁGRIMAS CAUSADAS PELA CORRUPÇÃO

Boa Noite!

Dói demais em qualquer pessoa presenciarmos o desespero de uma mãe (ou de um pai) que perdeu seu filho, mais ainda de maneira tão estúpida quanto àquela jovem vítima de mais um parque de diversões em situação irregular e precária funcionando, agora no Rio de Janeiro. A dor que sai das lágrimas daquela senhora é penetrante, da mesma forma que seu choro convulsivo e seus gritos saem de dentro do seu coração destroçado.
Não existe perda maior, porque não existe amor terreno superior ao de um pai ou mãe para com um filho. Enquanto esperamos e rezamos para que Deus console e seja misericordioso com todos eles, somos obrigados a continuar em nossa caminhada terrena. E é triste vermos a hipocrisia das autoridades, a omissão e a corrupção que produziram mais esta perda insana e perfeitamente evitável.
Mas a corrupção não está apenas nos palácios e planaltos centrais dos países. Ela começa quando você estaciona seu veículo debaixo da placa de Proibido Estacionar, esperando dar um 'jeitinho' se aparecer o guarda. Ela acontece quando você dirige embriagado e espera dar uma 'carteirada' se for detido em uma blitz. Ela continua a agir, a corrupção, quando você 'cria' recibos para não sofrer mais nas mãos do já injusto e famigerado Imposto de Renda. A corrupção não é uma quantidade, é um caminho de vida.
As pessoas não são obrigadas a trilhá-lo, nem sequer precisam conhecê-lo para terem uma vida plena, feliz e saudável. Porém, a corrupção não chega toda de uma só vez, ela vai se infiltrando em nossos dias através das nossas pequenas 'concessões'.
"Vou fazer porque todo mundo faz", começa a ser a luta do indivíduo contra sua própria consciência que clama e berra contra a corrupção.
"Só vou fazer desta vez", é o seguimento e a entrada definitiva neste caminho que, lamentavelmente, não possui saídas fáceis ou conhecidas.
As lágrimas daquela mãe serão atribuídas a este ou aquele governo, que dará declarações imbecis e adotará medidas tão ridículas que somente aviltará a memória da jovem morta. Isto se este caso não se transformar numa troca de acusações entre Executivo e Judiciário, porque se assim o for, nem sequer as medidas ridículas surgirão.
O duro é saber que, na verdade, parte daquela dor poderia ter sido evitada com o nosso NÃO: não à corrupção, não aos corruptos, não ao jeitinho, não às concessões. Duro é sentir que parte expressiva daquelas lágrimas são frutos do nosso imenso egoísmo. Por isso, deveríamos todos pedir-lhe perdão.

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